Testes podem detectar esquizofrenia no ‘olhar’, indica estudo

Testes de movimento dos olhos ajudam a detectar a esquizofrenia, um distúrbio psicótico caracterizado por perda de afetividade e da personalidade, alucinações e delírios de perseguição.

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A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica endógena, que se caracteriza pela perda do contato com a realidade. A pessoa pode ficar fechada em si mesma, com o olhar perdido, indiferente a tudo o que se passa ao redor ou, os exemplos mais clássicos, ter alucinações e delírios. Ela ouve vozes que ninguém mais escuta e imagina estar sendo vítima de um complô diabólico tramado com o firme propósito de destruí-la. Não há argumento nem bom senso que a convença do contrário.

Antigamente, esses indivíduos eram colocados em sanatórios para loucos, porque pouco se sabia a respeito da doença. No entanto, nas últimas décadas, houve grande avanço no estudo e tratamento da esquizofrenia que, quanto mais precocemente for tratada, menos danos trará aos doentes.

Segundo um estudo publicado pela Biological Psychiatryum modelo de testes de olhar teve 98% de precisão em distinguir pessoas com e sem esquizofrenia.

A descoberta, dizem os pesquisadores, pode agilizar o diagnóstico da doença. Os autores do estudo, que pertencem à Universidade de Aberdeen (Grã-Bretanha), agora investigam se isso pode servir para que, identificado o mal, o tratamento dos sintomas seja feito com mais rapidez.

O estudo foi liderado pelos professores Philip Benson e David St. Clair, que explicam que pesquisas prévias já indicavam a relação entre esquizofrenia e alterações no movimento dos olhos.

A pesquisa da Universidade de Aberdeen usou diversos testes de olhar, nos quais era pedido que voluntários acompanhassem com os olhos objetos que se moviam lentamente; que observassem uma variedade de cenas do dia a dia; e que mantivessem um olhar fixo sobre um alvo parado.

“As pessoas com esquizofrenia têm déficits já bem documentados na habilidade de acompanhar com os olhos objetos em movimento lento”, explica Benson, em comunicado da universidade. “Seu movimento dos olhos tende a não acompanhar o objeto a princípio, e depois fazê-lo usando movimentos rápidos dos olhos.”

O teste de cenas do dia a dia mostrou que “portadores de esquizofrenia têm um padrão anormal (de observação)”, diz ele. No último teste, de fixar-se em um objeto parado, esses portadores “têm dificuldades em manter um olhar fixo”.

A equipe de Benson e St. Clair realizou seu estudo com 88 pacientes diagnosticados com esquizofrenia e 88 pessoas em um grupo de controle.

Diagnóstico clínico

Para Benson, “sabe-se há mais de cem anos que indivíduos com doenças psicóticas têm diversas anormalidades no movimento dos olhos. Mas, até a realização do nosso estudo, usando uma nova bateria de testes, ninguém pensou que essas anormalidades eram sensíveis o bastante para serem usadas como forma de diagnóstico clínico”.

Seu colega St Clair explica à BBC Brasil que, atualmente, o diagnóstico da esquizofrenia é feito “apenas com (a análise) de sintomas e de comportamento”, na ausência de exames de sangue ou de tomografias para isso.

“Se você tem sintomas de distúrbios, o diagnóstico é fácil. Mas há muitos pacientes (cujo diagnóstico) não é tão simples”, agrega. “É (um procedimento) caro, que consome tempo e requer indivíduos altamente treinados. Em comparação, esses testes de olhar são simples, baratos e podem ser feitos em questão de minutos.”

Segundo ele, isso significa que um modelo semelhante ao usado no estudo poderia ser aplicado em hospitais e clínicas. “O próximo passo é descobrir quando essas anormalidades são passíveis de serem detectadas pela primeira vez e se isso podem ser usado como pontos de referência para estudos de como intervir na doença”.

Associações ligadas ao tratamento de esquizofrenia no Brasil dizem que a doença atinge 0,7% da população, o que pode equivaler a 1,2 milhão de pessoas.

Fonte: Science Daily

@larissaomfaria

Estudos da USP sobre vias neurais do medo ganham destaque internacional | Agência FAPESP :: Especiais

Estudos da USP sobre vias neurais do medo ganham destaque internacional | Agência FAPESP :: Especiais.

14/09/2012

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP

Estudos realizados nos últimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos mostraram que, ao contrário do que se pensava anteriormente, tipos distintos de medo – como o medo de estímulos dolorosos, o medo de predadores naturais e o medo de membros agressivos da mesma espécie – são processados em circuitos neurais independentes entre si.

Além de distinguir as vias neurais de processamento dos “medos instintivos” e de diferentes tipos de “medos aprendidos” –, os pesquisadores também descobriram que esses mecanismos podem se reproduzir também em seres humanos. Com isso, os estudos poderão contribuir para uma melhor compreensão sobre problemas como síndrome do pânico e estresse pós-traumático.

As pesquisas, coordenadas por Newton Canteras, do Laboratório de Neuroanatomia Funcional do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) – realizadas com apoio do Projeto Temático “Bases neurais dos comportamentos motivados”, da FAPESP, foram capa da revista Nature Reviews Neuroscience de setembro.

Segundo Canteras, os estudos realizados em ratos no ICB-USP se basearam na indução nos animais de estímulos de “medos instintivos”, que se caracterizam como um mecanismo de sobrevivência, e de “medos aprendidos”, que são culturais e adquiridos ao longo da vida.

“Um dos pontos importantes destacados no artigo foi a descoberta de que, em roedores, o circuito relacionado ao medo causado por ameaça de um predador natural pode ser o mesmo circuito acionado em seres humanos quando eles enfrentam ameaças à própria vida. Esse achado poderá nos ajudar a entender situações como o estresse pós-traumático”, disse Canteras à Agência FAPESP.

De acordo com Canteras, quando o tema começou a ser estudado por seu grupo, por volta de 1995, predominava na comunidade científica uma teoria unitária de organização das respostas de medo no sistema nervoso.

“Esse processo foi descoberto a partir de experimentos que associavam um estímulo doloroso – como um choque, por exemplo – e um som ou ambiente específico. Depois de ser submetido a essa associação várias vezes, o animal apresentava uma reação de medo ao ser exposto ao som ou ambiente, mesmo sem o estímulo doloroso. Achava-se que esse tipo de experimento era suficiente para explicar integralmente a reação de medo”, disse.

No entanto, quando começaram a estudar o sistema neural que está envolvido com uma situação natural de medo, os pesquisadores da USP perceberam que os mecanismos não eram tão simples quanto pareciam.

“Quando testamos a exposição do roedor a um gato, que é seu predador natural, descobrimos que a resposta de medo ativava uma região cerebral completamente diferente da que era ativada pelo medo de um simples estímulo doloroso. A partir daí passamos vários anos realizando estudos com foco na reprodução mais precisa de medos naturais”, afirmou Canteras.

Segundo o pesquisador, o animal é constituído de forma a ter uma reação de medo quando é exposto a algo que ameaça sua vida. Assim, as reações inatas de medo são divididas em duas categorias: a ameaça predatória – que é a presença de um predador – e a ameaça social, que é o medo de um animal agressivo da mesma espécie.

“O animal não aprende a ter esse tipo de medo, é uma reação inata. Descobrimos que não havia apenas distinção entre as vias neurais ativadas para a reação inata de medo e a reação de medo aprendido – que é o caso do estímulo doloroso –, mas o medo causado pelo predador e pela ameaça social também percorre caminhos diferentes no cérebro”, explicou.

Segundo Canteras, as descobertas foram consideradas importantes porque uma série de patologias humanas derivam do medo – como a ansiedade, a síndrome do pânico e o estresse pós-traumático.

“O fato de serem distintas as vias neurais do processamento do medo tem várias consequências. Um indivíduo que toma um choque não entra em pânico quando vê uma tomada posteriormente. Mas quem foi assaltado e sofreu ameaça de morte, acaba tendo uma reação de pânico ao ser submetido a um estímulo associado àquele evento”, declarou.

Entender o sistema neural usado em cada situação nos ajudará a entender como são organizadas as respostas de medo aprendido. “As vias neurais do medo aprendido é que estão relacionadas às patologias humanas”, disse.

De acordo com Canteras, em 2010 se descobriu que os estímulos em um núcleo do hipotálamo – que era importante para que os ratos manifestassem o medo do predador – utilizam um circuito que também existe nos seres humanos e que possivelmente pode ser acionado em uma situação de ameaça de vida.

“O sistema que no rato está envolvido com a detecção de ameaças à vida – como a presença de predadores – está presente também no homem. O fato de haver esse paralelismo nos dá uma perspectiva de desenvolver abordagens para entender como esses mecanismos se organizam no cérebro humano”, declarou.

O artigo The many paths to fear , de Newton Canteras e Cornelius Gross, pode ser lido por assinantes da Nature Reviews Neuroscience em http://www.nature.com/nrn

@giselecgs

Novo método para “ligar” e “desligar” neurônios

Ligar e desligar? Como assim?

Para entender como isso funciona, vamos fazer uma breve retrospectiva de como os pesquisadores chegaram nessa brilhante ideia.

Tudo começou quando pesquisadores estudavam as algas verdes. Esses estudos queriam desvendar como elas, organismos unicelulares, conseguiam se mover para e contra a luz sem possuir olhos. Apenas alguns anos atrás, alguns cientistas descobriram que esses seres vivos possuem moléculas fotossensíveis, como aquelas encontradas na retina dos seres humanos. Apenas a título de curiosidade, essas moléculas foram chamadas de “channelrhodopsins”. Essas moléculas fotosensíveis não são somente sensíveis a luz, mas também atuam como canais iônios, permitindo a entrada e saída de íons dentro da célula, e gerando assim sinais elétricos nos neurônios. Neste caso, a luz vai fazer com que esse canal se abra e permita o influxo de íons suficiente para excitar as células nervosas, o que podemos assimilar aqui como “ligar” neurônios, ou seja, ativá-los.

Mais tarde, descobriram uma outra molécula capaz de fazer o efeito contrário. Essa molécula foi encontrada em bactérias que vivem em lagos desertos, salgados. Elas possuem uma canal iônico que é uma “bomba”, que quando ativada por uma feixe de luz faz com que o neurônio seja “inibido”, ou seja, ele pára a sua atividade de condução de impulsos nervosos.

Oras, já descobrimos o que as algas verdes e as bactérias tem a ver com os neurônios! Mas o leitor pode se perguntar: tudo bem, eles possuem esses mecanismos de ligar e desligar neurônios, mas eu não! E agora?

É simples, usando métodos de genética moderna, esses canais podem ser inseridos nos nossos neurônios de interesse, o que permite então que os cientistas liguem e desliguem os neurônios usando um feixe de luz (como na figura abaixo).  No esquema da esquerda, um feixe de luz é capaz de estimular o neurônio que contém as moléculas fotossensíveis, já no segundo esquema, a luz inibe a atividade do neurônio que contém tais moléculas. Esse feixe de luz é gerado por uma fibra óptica que é cuidadosamente inserida na cabeça dos animais, como ilustrado na primeira figura.

E o que isso tem a ver com a medicina? Tudo! Alguns estudos com animais já provaram que no futuro poderemos desenvolver terapias e provar a função de partes específicas do cérebro em mamíferos. Só para instigar a curiosidade, algumas pesquisas com ratos cegos conseguiram fazer com que esses animais respondessem à luz, quando as moléculas fotossensíveis foram posteriormente inseridas nos seus neurônios da retina.

Com esses estudos, os cientistas poderão estudar e controlar grupos esécíficos de neurônios, simplesmente com pulsos de luz, e poderão então, entender como esses neurônios agem dentro do nosso cérebro e como eles produzem comportamentos particulares. Isso vai possibilitar o mapemanto de circuitos neurais do cérebro com precisão, melhorar os diagnósticos de possíveis doenças neurológicas e oferecer também melhores tratamentos.

Como exemplo, essa técnica poderá ajudar os pesquisadores a entender como se desenvolve a doença de Parkinson (na qual existem partes do cérebro que ficam muito ativas e outras menos ativas), bem como propor tratamentos para ela.

Mais uma vantagem desse método, é muito menos invasivo do que algumas terapias propostas para melhorar os sintomas de algumas doenças neurológicas, como o DBS (deep brain stimulation) para o tratamento do Mal de Parkinson, no qual eletrodos são implantados dentro do cérebro do paciente.   Além disso, o método de estimulação com a luz, permite que populações de neurônios específicas sejam ativadas e desatividas, sendo portanto, um método mutio mais preciso.

Esse método de “controlar” o cérebro com luzes, pode ser chamado de optogenética. E para quem se interessou, aqui vai mais uma leitura complementar: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=optogenetics-controlling.

Agradeço as meninas do blog pela oportunidade!

Grande abraço a todos!

Suzana Ulian Benitez

Créditos para: Kim Thompson, Viviana Gradinaru e Karl Deisseroth, da Universidade de Stanford.

Mais informações sobre optogenética: aqui e aqui

Pessoal, não deixem de conferir o blog da Suzana!

@ateotalamo

Cabecear com frequência no futebol pode prejudicar cérebro, diz estudo

De BBC Brasil:

Médicos americanos alertaram em um novo estudo que cabeçadas frequentes em partidas de futebol podem causar lesões cerebrais em jogadores.

Os médicos analisaram exames dos cérebros de 32 jogadores amadores e, nos exames, foram revelados padrões de danos parecidos com os encontrados em pacientes que sofreram concussões.

 Os pesquisadores afirmam acreditar que existe um número seguro de cabeçadas – cerca de mil cabeçadas por ano ou menos. Neste nível, o cérebro não sofreria lesões, mas os médicos afirmam que ainda são necessárias mais pesquisas a respeito.

Um jogador britânico da década de 1960, Jeff Astle, teria morrido em 2002, aos 59 anos, devido a problemas causados por muitas cabeçadas durante sua carreira.

Astle desenvolveu problemas cognitivos depois de anos jogando pela seleção da Inglaterra e pelo time inglês West Bromwich Albion.

A autópsia determinou que a morte do jogador foi resultado de uma doença degenerativa do cérebro causada por cabeçadas contra as pesadas bolas de futebol de couro usadas na época em que Astle jogava.

O médico que chefiou a pesquisa, Michael Lipton, do Centro Médico Montefiore, do hospital da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, afirma que as bolas usadas nos jogos atuais, apesar de serem bem mais leves do que as antigas, ainda podem causar danos.

Uma bola de futebol pode alcançar a velocidade de 54 quilômetros por  hora em jogos recreativos e até o dobro desta velocidade em jogos  profissionais.

Lesões leves

Lipton e sua equipe usaram um tipo de exame especial, conhecido como imagem por tensor de difusão, que visualiza nervos e tecidos cerebrais.

Os 32 voluntários que passaram pelo exame disseram aos médicos qual a frequência com que cabeceavam a bola durante treinos e jogos.

Com os exames, os médicos descobriram que os jogadores que eram “cabeceadores frequentes” tinham sinais óbvios de lesões traumáticas leves no cérebro.

Astle participou de 361 jogos pelo West Bromwich Albion

Cinco regiões do cérebro sofreram danos – áreas da frente do cérebro e na direção da parte de trás do crânio, onde ocorrem processos ligados à atenção, memória, funcionamento executivo e funções da visão.

Os pesquisadores avaliam que as lesões foram se acumulando com o tempo.

“Cabecear uma bola de futebol não tem um impacto que vai romper fibras nervosas no cérebro”, afirmou Lipton, ao apresentar sua pesquisa, na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte.

“Mas cabeçadas repetitivas podem desencadear uma série de respostas que podem levar à degeneração das células do cérebro.”

Número máximo

Os voluntários que tiveram seus cérebros examinados pela equipe de Lipton também fizeram testes para checar suas habilidades cognitivas como memória verbal e tempos de reação. Eles foram mal nestes testes.

Os danos ocorreram em jogadores que afirmaram cabecear a bola pelo menos mil vezes por ano.

Segundo os pesquisadores, apesar de parecer um número alto, mil cabeçadas por ano significam apenas algumas cabeçadas por dia para um jogador que pratica o esporte com frequência.

Os médicos americanos afirmaram que serão necessários mais estudos para determinar um número seguro de cabeçadas para os jogadores de futebol.

Mas, para Andrew Rutherford, da Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Grã-Bretanha, a pesquisa apresentada pelos médicos americanos não é convincente. O britânico pesquisa os danos causados por cabeçadas há anos.

Para Rutherford, os médicos americanos estão analisando os dados errados porque a maioria das lesões na cabeça ocorridas no futebol se deve ao impacto entre as cabeças dos jogadores, e não ao impacto com a bola.

@giselecgs

Memória

Dia 29/11 a Folha de São Paulo publicou uma matéria ótima sobre memória com vários depoimentos de especialistas, confira aqui, aproveite e faça o teste:

Trechos

Esqueceu uma coisa importante? Normal. Qualquer pessoa saudável, em qualquer idade, pode ter lapsos.

“Brancos” acontecem por motivos comuns: nervosismo, estresse, insônia, cansaço, excesso de informações.

“A memória é uma função cognitiva dependente dos processos de atenção. Qualquer coisa que interfira na concentração pode prejudicá-la”, afirma Mônica Sanches Yassuda, neuropsicóloga e pesquisadora da USP.

O esquecimento não é ruim. Para a neurologia, é tão importante quanto a lembrança. “Para recordar seletivamente o que interessa você tem que inibir, bloquear ou esquecer certas coisas. É inútil lembrar-se de tudo”, diz o neurologista Benito Damasceno, da Unicamp.

Não tem uma fórmula para melhorar a memória. Mas sempre é bom reforçar que gravar um fato depende de concentração e interesse.

“Estar motivado aumenta o tônus cerebral, criando uma situação ótima para que informações sejam registradas”, diz Benito Damasceno.

@giselecgs

Interpretação dos fatos

Apresentar dados de maneira pausada faz com que as pessoas retenham melhor os fatos.

Avaliar o currículo de um candidato, o QI de uma criança e a quilometragem de um carro normalmente são medidas usadas para prever a probabilidade de um bom desempenho no futuro. Mas até que ponto somos bons nas nossas avaliações? Há uma linha de pesquisa na área de psicologia que estuda isso, medindo o grau de precisão com que estamos fazendo juízos de probabilidades. Uma maneira de analisar o tema é controlar a natureza da própria informação e ver se as pessoas estão seguras da força de seu julgamento.

Um estudo recente de Jennifer Todd Whitman e Woodward descobriu que, quando os dados são apresentadas um a um, em vez de mostrados de uma única vez, as pessoas costumam concluir que eles são mais fortes. Durante a pesquisa, voluntários olhavam para uma tela de computador na qual na parte inferior havia uma lagoa pequena ligada a dois grandes lagos. A lagoa continha três peixes – dois brancos e um preto. Em seguida os dois lagos grandes foram preenchidos com diferentes quantidades de peixes brancos, pretos e amarelos. As pessoas olhavam para a imagem e usavam uma escala para avaliar a probabilidade de que os peixes da lagoa tivessem vindo do lago 1 – que tinha mais peixes brancos – ou do 2 – com a maioria dos animais pretos. Como esperado, quando as imagens entravam  uma  a uma, as pessoas percebiam mais claramente de onde ele provavelmente tinha vindo, considerando a proporção inicial de cores por lago. Apesar de os cientistas acreditarem que as descobertas podem ser úteis para convencer pessoas sobre algum projeto, eles reforçam, porém, que mudar a forma como a informação é apresentada pode ser algo que fazemos sem perceber.

Revista Scientific American Brasil

@giselecgs

#FamerpAgoniza

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – FAMERP – é uma faculdade ESTADUAL de SP. Fundada em 1968 e estadualizada em 1994 pelo Governador Fleury. Mas desde sua estadualização tem sido negligenciada e ignorada pelo governo de SP, que não aprova concursos públicos para professores e funcionários da instituição e que seguidamente, ao invés de investir na educação superior, promoveu cortes no orçamento da faculdade.

A situação atual é uma faculdade cuja portaria principal está FECHADA; com uma infra-estrutura sucateada pois a verba recebida é muito ABAIXO do que deveria ser para manter a faculdade; com FALTA de seguranças no campus; com funcionáros sendo demitidos e NÃO havendo concursos públicos para técnicos-administrativos e professores. Tudo isso prejudica o ensino de estudantes de medicina e enfermagem, que mesmo com tantas dificuldades, vem sendo formados com excelência reconhecida por diversos índices do governo como, por exemplo, o IGC e ENADE que colocam a FAMERP como uma das melhores instituições do país.

O diretor geral da faculdade, em assembléia que reuniu alunos, professores, diretores e funcionários, disse que se os concursos para funcionários não sair, não haverá como a faculdade funcionar em janeiro do próximo ano sem funcionários, também disse que já tentou de diversas formas negociar com o estado de SP para um aumento do custeio da faculdade, QUE HOJE É A FACULDADE DE MEDICINA QUE MENOS RECEBE VERBA DO ESTADO.

Sendo assim, com todos os meios de conversa e burocracia não surtindo efeito, foi acordado entre alunos, funcionários, professores e diretores, na elaboração de uma Carta de Reivindicações para ser apresentada ao governo de SP com um prazo de 15 dias para ser atendida, contando a partir de hoje, 05/10/2011. Caso isso não ocorra, haverá PARALISAÇÃO da FAMERP, com realizações de protestos e manifestações para mostrar a indignação com o descaso sofrida pela instituição. Além disso, também existe a possibilidade de o Hospital de Base de São José do Rio Preto, hospital de ensino da FAMERP e segundo maior hospital de ensino do país, realizar a paralisação, em concordância com a luta da FAMERP.

Até o vencimento do prazo todos os estudantes da FAMERP, estimulados e liderados pelo Centro Acadêmico Euryclides Zerbini (CAEZ – órgão representativo máximo dos estudantes de medicina da FAMERP) e pelo Centro Acadêmico da Enfermagem de Rio Preto (CAERP – órgão representativo máximo dos alunos de enfermagem da FAMERP) estão fazendo uma divulgação maciça nas redes sociais para a divulgação da situação da FAMERP e da luta dos estudantes pela sua faculdade. O twitter do governador Geraldo Alckmin, do governo de SP, de jornalistas e de veículos de imprensa estão sendo lotados com a hashtag #FAMERPagoniza, que os estudantes estão usando como carro-chefe dessa divulgação na internet.

Eu sou estudante de medicina da FAMERP. E peço aqui a todos que lerem isso para que entendam nossa causa, pela valorização de uma instituição ESTADUAL tão ignorada, e nos ajudem na divulgação e na luta.

Contato do CAEZ: Telefone –> (17) 3227-4847 e http://www.facebook.com/profile.php?id=100002892931691

#FAMERPagoniza
Guilherme Berto Calvinho
Estudante do segundo ano de medicina da FAMERP -Turma XLIII
Coordenador de Políticas Externas do CAEZ
(17) 9170-8884
gbcfamerp@gmail.com

Redução dos níveis de vitamina B12 está relacionada a atrofia cerebral e declínio cognitivo no envelhecimento

De acordo com pesquisadores da Rush University Medical Center, as pessoas idosas com baixos níveis sanguíneos de marcadores de vitamina B12 podem ser mais propensas a ter redução do trofismo cerebral e problemas de habilidades cognitivas.

O estudo publicado na Neurology envolveu 121 sujeitos com mais de 65 anos participantes do Projeto Saúde e Envelhecimento Chicago. Foram realizados exames de sangue para medir os níveis de vitamina B12 e marcadores que podem indicar deficiência desta. Além disso, os indivíduos passaram por testes que avaliaram a memória e outras habilidades cognitivas.

Após 4 anos e meio de acompanhamento destes indivíduos, foram feitos exames de ressonância magnética dos cérebros dos participantes a fim de medir o volume total do encéfalo e procurar outros sinais de dano cerebral.

Os resultados indicaram que a presença de altos níveis de quatro dos cinco marcadores para deficiência de vitamina B12 foi associado a pontuação baixa nos testes cognitivos e menor volume total do cérebro. Para cada aumento de um micromol por litro de homocisteína – um dos marcadores da deficiência de B12 – a pontuação nos testes cognitivos diminuiu em 0,03 pontos.

“Nossas descobertas definitivamente merecem um exame mais aprofundado”, disse Christine C. Tangney, professora associada do departamento de nutrição clínica no Rush University Medical Center, e principal autora do estudo. “É muito cedo para dizer se o aumento dos níveis de vitamina B12 em pessoas de idade através da dieta ou suplementos podem prevenir esses problemas, mas é uma questão interessante para explorar. Descobertas de um estudo britânico com a suplementação com vitamina B também são favoráveis ​​e corroboram esses resultados.”

Os pesquisadores observaram que o nível de vitamina B12 no sangue em si não foi associado a problemas cognitivos ou perda de volume cerebral. Segundo eles, níveis baixos de vitamina B12 pode ser difícil de se detectar em pessoas mais velhas quando observa-se apenas para os níveis sanguíneos da vitamina.

Segundo os pesquisadores, estes resultados dão suporte para a afirmação de que a carência ou redução da vitamina B12 no organismo é um fator de risco potencial para o desenvolvimento de atrofia cerebral no envelhecimento e podem contribuir para o aparecimento de déficits cognitivos.

A vitamina B12 é presente em alimentos derivados de animais, incluindo peixes, carnes, especialmente o fígado, leite, ovos e aves.

Fonte: Science Daily e Eurekalert

Artigo:
Tangney C.C. et al. Vitamin B12, cognition, and brain MRI measures: A cross-sectional examination. Neurology, 2011; 77 (13): 1276 DOI: 10.1212/WNL.0b013e3182315a33

@larissaomfaria

Dietas restritivas de emagrecimento fazem neurônios hipotalâmicos se canibalizarem

Um estudo publicado na revista científica Cell Metabolism pode ajudar a explicar por que é tão difícil seguir uma dieta restritiva de emagrecimento.

Segundo a pesquisa, quando se passa fome, os neurônios responsáveis por regular o apetite presentes no hipotálamo passam a apresentar autofagia, ou seja, começam a comer partes deles mesmos.

Os cientistas acreditam que isso aconteceria porque após um período de jejum e o uso emergencial de reservas de gordura, o corpo receberia um sinal de que há uma falta de comida e faria com que as células se alimentassem delas mesmas.

Proteína que estimula o apetite

Os experimentos realizados com camundongos em laboratório revelaram que o ato de “autocanibalismo” destas células gera a liberação de ácidos graxos, que por sua vez resulta em níveis mais altos de uma substância química no cérebro (a proteína agouti, AgRP) que estimula o apetite.

Um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador Rajat Singh, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, acredita que remédios que interfiram neste processo de autofagia dos neurônios hipotalâmicos poderiam ajudar a tratar a obesidade, fazendo com que as pessoas sintam “menos fome e queimem mais gordura”.

Segundo ele, quando a autofagia foi bloqueada nos neurônios dos camundongos, os níveis de AgRP não se elevaram em resposta à fome e os níveis de outro hormônio, o hormônio estimulante dos melanócitos, permaneceram altos. Esta alteração na química do corpo levou os camundongos a ficarem mais magros, já que eles comiam menos após um período de jejum e gastavam mais energia.

Metabolismo dos lipídeos

Por outro lado, Singh explicou que níveis cronicamente altos de ácidos graxos na corrente sanguínea, como acontece em pessoas com dietas ricas em gordura, podem alterar o metabolismo dos lipídeos e os neurônios hipotalâmicos, “criando um circulo vicioso de superalimentação e equilíbrio de energia alterado.”

O estudo também pode ajudar a explicar por que o apetite tende a diminuir com a idade, já que as células de um corpo mais idoso não conseguiriam realizar a autofagia tão bem como antes.

Fonte: BBC Brasil, Science Daily, Eurekalert e Discovery Magazine

Artigo:

Kaushik S. et al. Autophagy in Hypothalamic AgRP Neurons Regulates Food Intake and Energy Balance. Cell Metabolism, Volume 14, Issue 2, 173-183, 3 August 2011 DOI: 10.1016/j.cmet.2011.06.008

@larissaomfaria

Cérebro de homens e mulheres reagem de forma distinta ao medo

O cérebro feminino tem intensa atividade cerebral na iminência de experiências negativas, enquanto o do homens mantém comportamento estável. A descoberta foi constatada por uma pesquisa publicada no Journal of Neuroscience.

O experimento mediu a atividade neurológica de homens e mulheres nos instantes que antecedem seu contato com imagens negativas, positivas e neutras. Ambos os sexos recebiam indicação prévia, por meio de um cartão, sobre qual tipo de imagem iriam ver. Em todos os casos, a atividade cerebral se comportou de maneira estável, sem mudanças, a não ser no caso das mulheres na iminência de ter uma experiência considerada negativa.

Giulia Galli, que liderou a pesquisa no Insituto de Neurociência Cognitiva da UCL, sugere que a diferença na atividade cerebral tem relação com diferenças na memória dos dois gêneros. “Quando estão à espera de uma experiência negativa, as mulheres têm maior capacidade de resposta emocional que os homens, pelo que indica sua atividade cerebral. É provável que isso afeta o modo como elas se lembram do evento negativo”, diz.

A pesquisadora explica que a formação da memória se dá de diferentes maneiras. “Ao assistir cenas perturbadoras em filmes, muitas vezes há pistas de que algo ‘ruim’ irá acontecer, como a música emotiva. A pesquisa mostra que a atividade cerebral nas mulheres entre a pista e a cena perturbadora influencia o modo como a cena vai ser lembrada. O que importa para a memória dos homens em vez disso é, principalmente, a atividade cerebral durante a cena em si”, explica.

Para a cientista, a descoberta pode ser útil no estudo de transtornos psiquiátricos, como ansiedade, em que há expectativa excessiva.

Memória

A pesquisa foi feita com 15 mulheres e 15 homens. O sinal usado para prenunciar que tipo de cena seria rapidamente vista foi um rosto sorridente, no caso de uma imagem positiva (paisagens bucólicas), um rosto neutro para uma imagem não-emotiva (um objeto qualquer), e um rosto triste para uma imagem negativa (cenas de violência extrema).

Cerca de 20 minutos após medição da atividade cerebral, o estudo apresentou as mesmas imagens ao grupo de homens e mulheres, como num jogo de memória.

O estudo mostrou que as imagens consideradas negativas tiveram algo grau de memorização entre as mulheres, mas não entre os homens. Ambos reagiram de maneira similar, no entanto, em relação à memória de imagens neutras e positivas.

Fonte: BBC Brasil e Science Daily

Artigo:

Galli G., Wolpe N., Otten L. J. Sex Differences in the Use of Anticipatory Brain Activity to Encode Emotional Events. Journal of Neuroscience, 2011; 31 (34): 12364 DOI: 10.1523/JNEUROSCI.1619-11.2011

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"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." Nelson Rodrigues
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