Estudos da USP sobre vias neurais do medo ganham destaque internacional | Agência FAPESP :: Especiais

Estudos da USP sobre vias neurais do medo ganham destaque internacional | Agência FAPESP :: Especiais.

14/09/2012

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP

Estudos realizados nos últimos anos por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos mostraram que, ao contrário do que se pensava anteriormente, tipos distintos de medo – como o medo de estímulos dolorosos, o medo de predadores naturais e o medo de membros agressivos da mesma espécie – são processados em circuitos neurais independentes entre si.

Além de distinguir as vias neurais de processamento dos “medos instintivos” e de diferentes tipos de “medos aprendidos” –, os pesquisadores também descobriram que esses mecanismos podem se reproduzir também em seres humanos. Com isso, os estudos poderão contribuir para uma melhor compreensão sobre problemas como síndrome do pânico e estresse pós-traumático.

As pesquisas, coordenadas por Newton Canteras, do Laboratório de Neuroanatomia Funcional do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) – realizadas com apoio do Projeto Temático “Bases neurais dos comportamentos motivados”, da FAPESP, foram capa da revista Nature Reviews Neuroscience de setembro.

Segundo Canteras, os estudos realizados em ratos no ICB-USP se basearam na indução nos animais de estímulos de “medos instintivos”, que se caracterizam como um mecanismo de sobrevivência, e de “medos aprendidos”, que são culturais e adquiridos ao longo da vida.

“Um dos pontos importantes destacados no artigo foi a descoberta de que, em roedores, o circuito relacionado ao medo causado por ameaça de um predador natural pode ser o mesmo circuito acionado em seres humanos quando eles enfrentam ameaças à própria vida. Esse achado poderá nos ajudar a entender situações como o estresse pós-traumático”, disse Canteras à Agência FAPESP.

De acordo com Canteras, quando o tema começou a ser estudado por seu grupo, por volta de 1995, predominava na comunidade científica uma teoria unitária de organização das respostas de medo no sistema nervoso.

“Esse processo foi descoberto a partir de experimentos que associavam um estímulo doloroso – como um choque, por exemplo – e um som ou ambiente específico. Depois de ser submetido a essa associação várias vezes, o animal apresentava uma reação de medo ao ser exposto ao som ou ambiente, mesmo sem o estímulo doloroso. Achava-se que esse tipo de experimento era suficiente para explicar integralmente a reação de medo”, disse.

No entanto, quando começaram a estudar o sistema neural que está envolvido com uma situação natural de medo, os pesquisadores da USP perceberam que os mecanismos não eram tão simples quanto pareciam.

“Quando testamos a exposição do roedor a um gato, que é seu predador natural, descobrimos que a resposta de medo ativava uma região cerebral completamente diferente da que era ativada pelo medo de um simples estímulo doloroso. A partir daí passamos vários anos realizando estudos com foco na reprodução mais precisa de medos naturais”, afirmou Canteras.

Segundo o pesquisador, o animal é constituído de forma a ter uma reação de medo quando é exposto a algo que ameaça sua vida. Assim, as reações inatas de medo são divididas em duas categorias: a ameaça predatória – que é a presença de um predador – e a ameaça social, que é o medo de um animal agressivo da mesma espécie.

“O animal não aprende a ter esse tipo de medo, é uma reação inata. Descobrimos que não havia apenas distinção entre as vias neurais ativadas para a reação inata de medo e a reação de medo aprendido – que é o caso do estímulo doloroso –, mas o medo causado pelo predador e pela ameaça social também percorre caminhos diferentes no cérebro”, explicou.

Segundo Canteras, as descobertas foram consideradas importantes porque uma série de patologias humanas derivam do medo – como a ansiedade, a síndrome do pânico e o estresse pós-traumático.

“O fato de serem distintas as vias neurais do processamento do medo tem várias consequências. Um indivíduo que toma um choque não entra em pânico quando vê uma tomada posteriormente. Mas quem foi assaltado e sofreu ameaça de morte, acaba tendo uma reação de pânico ao ser submetido a um estímulo associado àquele evento”, declarou.

Entender o sistema neural usado em cada situação nos ajudará a entender como são organizadas as respostas de medo aprendido. “As vias neurais do medo aprendido é que estão relacionadas às patologias humanas”, disse.

De acordo com Canteras, em 2010 se descobriu que os estímulos em um núcleo do hipotálamo – que era importante para que os ratos manifestassem o medo do predador – utilizam um circuito que também existe nos seres humanos e que possivelmente pode ser acionado em uma situação de ameaça de vida.

“O sistema que no rato está envolvido com a detecção de ameaças à vida – como a presença de predadores – está presente também no homem. O fato de haver esse paralelismo nos dá uma perspectiva de desenvolver abordagens para entender como esses mecanismos se organizam no cérebro humano”, declarou.

O artigo The many paths to fear , de Newton Canteras e Cornelius Gross, pode ser lido por assinantes da Nature Reviews Neuroscience em http://www.nature.com/nrn

@giselecgs

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Cabecear com frequência no futebol pode prejudicar cérebro, diz estudo

De BBC Brasil:

Médicos americanos alertaram em um novo estudo que cabeçadas frequentes em partidas de futebol podem causar lesões cerebrais em jogadores.

Os médicos analisaram exames dos cérebros de 32 jogadores amadores e, nos exames, foram revelados padrões de danos parecidos com os encontrados em pacientes que sofreram concussões.

 Os pesquisadores afirmam acreditar que existe um número seguro de cabeçadas – cerca de mil cabeçadas por ano ou menos. Neste nível, o cérebro não sofreria lesões, mas os médicos afirmam que ainda são necessárias mais pesquisas a respeito.

Um jogador britânico da década de 1960, Jeff Astle, teria morrido em 2002, aos 59 anos, devido a problemas causados por muitas cabeçadas durante sua carreira.

Astle desenvolveu problemas cognitivos depois de anos jogando pela seleção da Inglaterra e pelo time inglês West Bromwich Albion.

A autópsia determinou que a morte do jogador foi resultado de uma doença degenerativa do cérebro causada por cabeçadas contra as pesadas bolas de futebol de couro usadas na época em que Astle jogava.

O médico que chefiou a pesquisa, Michael Lipton, do Centro Médico Montefiore, do hospital da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, afirma que as bolas usadas nos jogos atuais, apesar de serem bem mais leves do que as antigas, ainda podem causar danos.

Uma bola de futebol pode alcançar a velocidade de 54 quilômetros por  hora em jogos recreativos e até o dobro desta velocidade em jogos  profissionais.

Lesões leves

Lipton e sua equipe usaram um tipo de exame especial, conhecido como imagem por tensor de difusão, que visualiza nervos e tecidos cerebrais.

Os 32 voluntários que passaram pelo exame disseram aos médicos qual a frequência com que cabeceavam a bola durante treinos e jogos.

Com os exames, os médicos descobriram que os jogadores que eram “cabeceadores frequentes” tinham sinais óbvios de lesões traumáticas leves no cérebro.

Astle participou de 361 jogos pelo West Bromwich Albion

Cinco regiões do cérebro sofreram danos – áreas da frente do cérebro e na direção da parte de trás do crânio, onde ocorrem processos ligados à atenção, memória, funcionamento executivo e funções da visão.

Os pesquisadores avaliam que as lesões foram se acumulando com o tempo.

“Cabecear uma bola de futebol não tem um impacto que vai romper fibras nervosas no cérebro”, afirmou Lipton, ao apresentar sua pesquisa, na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte.

“Mas cabeçadas repetitivas podem desencadear uma série de respostas que podem levar à degeneração das células do cérebro.”

Número máximo

Os voluntários que tiveram seus cérebros examinados pela equipe de Lipton também fizeram testes para checar suas habilidades cognitivas como memória verbal e tempos de reação. Eles foram mal nestes testes.

Os danos ocorreram em jogadores que afirmaram cabecear a bola pelo menos mil vezes por ano.

Segundo os pesquisadores, apesar de parecer um número alto, mil cabeçadas por ano significam apenas algumas cabeçadas por dia para um jogador que pratica o esporte com frequência.

Os médicos americanos afirmaram que serão necessários mais estudos para determinar um número seguro de cabeçadas para os jogadores de futebol.

Mas, para Andrew Rutherford, da Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Grã-Bretanha, a pesquisa apresentada pelos médicos americanos não é convincente. O britânico pesquisa os danos causados por cabeçadas há anos.

Para Rutherford, os médicos americanos estão analisando os dados errados porque a maioria das lesões na cabeça ocorridas no futebol se deve ao impacto entre as cabeças dos jogadores, e não ao impacto com a bola.

@giselecgs

Memória

Dia 29/11 a Folha de São Paulo publicou uma matéria ótima sobre memória com vários depoimentos de especialistas, confira aqui, aproveite e faça o teste:

Trechos

Esqueceu uma coisa importante? Normal. Qualquer pessoa saudável, em qualquer idade, pode ter lapsos.

“Brancos” acontecem por motivos comuns: nervosismo, estresse, insônia, cansaço, excesso de informações.

“A memória é uma função cognitiva dependente dos processos de atenção. Qualquer coisa que interfira na concentração pode prejudicá-la”, afirma Mônica Sanches Yassuda, neuropsicóloga e pesquisadora da USP.

O esquecimento não é ruim. Para a neurologia, é tão importante quanto a lembrança. “Para recordar seletivamente o que interessa você tem que inibir, bloquear ou esquecer certas coisas. É inútil lembrar-se de tudo”, diz o neurologista Benito Damasceno, da Unicamp.

Não tem uma fórmula para melhorar a memória. Mas sempre é bom reforçar que gravar um fato depende de concentração e interesse.

“Estar motivado aumenta o tônus cerebral, criando uma situação ótima para que informações sejam registradas”, diz Benito Damasceno.

@giselecgs

Interpretação dos fatos

Apresentar dados de maneira pausada faz com que as pessoas retenham melhor os fatos.

Avaliar o currículo de um candidato, o QI de uma criança e a quilometragem de um carro normalmente são medidas usadas para prever a probabilidade de um bom desempenho no futuro. Mas até que ponto somos bons nas nossas avaliações? Há uma linha de pesquisa na área de psicologia que estuda isso, medindo o grau de precisão com que estamos fazendo juízos de probabilidades. Uma maneira de analisar o tema é controlar a natureza da própria informação e ver se as pessoas estão seguras da força de seu julgamento.

Um estudo recente de Jennifer Todd Whitman e Woodward descobriu que, quando os dados são apresentadas um a um, em vez de mostrados de uma única vez, as pessoas costumam concluir que eles são mais fortes. Durante a pesquisa, voluntários olhavam para uma tela de computador na qual na parte inferior havia uma lagoa pequena ligada a dois grandes lagos. A lagoa continha três peixes – dois brancos e um preto. Em seguida os dois lagos grandes foram preenchidos com diferentes quantidades de peixes brancos, pretos e amarelos. As pessoas olhavam para a imagem e usavam uma escala para avaliar a probabilidade de que os peixes da lagoa tivessem vindo do lago 1 – que tinha mais peixes brancos – ou do 2 – com a maioria dos animais pretos. Como esperado, quando as imagens entravam  uma  a uma, as pessoas percebiam mais claramente de onde ele provavelmente tinha vindo, considerando a proporção inicial de cores por lago. Apesar de os cientistas acreditarem que as descobertas podem ser úteis para convencer pessoas sobre algum projeto, eles reforçam, porém, que mudar a forma como a informação é apresentada pode ser algo que fazemos sem perceber.

Revista Scientific American Brasil

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Rubem Alves e Moacyr Scliar conversam sobre o corpo e a alma. Uma abordagem médico-literária

Com uma linguagem inédita em seu gênero, a obra traz uma conversa entre os dois autores sobre doenças da alma, como melancolia, inveja, culpa, além de abordar o poder mítico do médico, o poder da cura pela palavra e a questão da felicidade que parece ser, como diz Guimarães Rosa, “um raro momento de distração”. Uma leitura fluente e inspiradora, indispensável para todos os que, de vez em quando, gostam de parar para refletir sobre as grandes e pequenas questões da vida.

Fontes: Saberes editora e daqui

Leiam,

@giselecgs

 

#FamerpAgoniza

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – FAMERP – é uma faculdade ESTADUAL de SP. Fundada em 1968 e estadualizada em 1994 pelo Governador Fleury. Mas desde sua estadualização tem sido negligenciada e ignorada pelo governo de SP, que não aprova concursos públicos para professores e funcionários da instituição e que seguidamente, ao invés de investir na educação superior, promoveu cortes no orçamento da faculdade.

A situação atual é uma faculdade cuja portaria principal está FECHADA; com uma infra-estrutura sucateada pois a verba recebida é muito ABAIXO do que deveria ser para manter a faculdade; com FALTA de seguranças no campus; com funcionáros sendo demitidos e NÃO havendo concursos públicos para técnicos-administrativos e professores. Tudo isso prejudica o ensino de estudantes de medicina e enfermagem, que mesmo com tantas dificuldades, vem sendo formados com excelência reconhecida por diversos índices do governo como, por exemplo, o IGC e ENADE que colocam a FAMERP como uma das melhores instituições do país.

O diretor geral da faculdade, em assembléia que reuniu alunos, professores, diretores e funcionários, disse que se os concursos para funcionários não sair, não haverá como a faculdade funcionar em janeiro do próximo ano sem funcionários, também disse que já tentou de diversas formas negociar com o estado de SP para um aumento do custeio da faculdade, QUE HOJE É A FACULDADE DE MEDICINA QUE MENOS RECEBE VERBA DO ESTADO.

Sendo assim, com todos os meios de conversa e burocracia não surtindo efeito, foi acordado entre alunos, funcionários, professores e diretores, na elaboração de uma Carta de Reivindicações para ser apresentada ao governo de SP com um prazo de 15 dias para ser atendida, contando a partir de hoje, 05/10/2011. Caso isso não ocorra, haverá PARALISAÇÃO da FAMERP, com realizações de protestos e manifestações para mostrar a indignação com o descaso sofrida pela instituição. Além disso, também existe a possibilidade de o Hospital de Base de São José do Rio Preto, hospital de ensino da FAMERP e segundo maior hospital de ensino do país, realizar a paralisação, em concordância com a luta da FAMERP.

Até o vencimento do prazo todos os estudantes da FAMERP, estimulados e liderados pelo Centro Acadêmico Euryclides Zerbini (CAEZ – órgão representativo máximo dos estudantes de medicina da FAMERP) e pelo Centro Acadêmico da Enfermagem de Rio Preto (CAERP – órgão representativo máximo dos alunos de enfermagem da FAMERP) estão fazendo uma divulgação maciça nas redes sociais para a divulgação da situação da FAMERP e da luta dos estudantes pela sua faculdade. O twitter do governador Geraldo Alckmin, do governo de SP, de jornalistas e de veículos de imprensa estão sendo lotados com a hashtag #FAMERPagoniza, que os estudantes estão usando como carro-chefe dessa divulgação na internet.

Eu sou estudante de medicina da FAMERP. E peço aqui a todos que lerem isso para que entendam nossa causa, pela valorização de uma instituição ESTADUAL tão ignorada, e nos ajudem na divulgação e na luta.

Contato do CAEZ: Telefone –> (17) 3227-4847 e http://www.facebook.com/profile.php?id=100002892931691

#FAMERPagoniza
Guilherme Berto Calvinho
Estudante do segundo ano de medicina da FAMERP -Turma XLIII
Coordenador de Políticas Externas do CAEZ
(17) 9170-8884
gbcfamerp@gmail.com

Consumo de antibióticos cresce 4,8% em um ano

Aumento ocorreu após Anvisa passar a exigir a retenção da receita nas farmácias, numa tentativa de reduzir a automedicação e o risco de resistência bacteriana

O consumo de antibióticos no País cresceu 4,8% em um ano, saindo de 90,3 milhões para 94,7 milhões de unidades. O aumento ocorreu depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passar a exigir a retenção de receita para a venda desses remédios.

Os dados foram levantados pela IMS Health, consultoria especializada no mercado farmacêutico, a pedido do Estado, e leva em consideração a venda para o consumidor final, em farmácias.

A norma proibindo a venda de antibiótico sem receita foi publicada pela Anvisa em outubro do ano passado e passou a valer um mês depois. O objetivo da medida era reduzir a automedicação e o risco de resistência bacteriana.

Para especialistas, o aumento nas vendas é resultado do crescimento natural do mercado farmacêutico e da melhora da economia: o brasileiro tem mais acesso a planos de saúde, vai mais ao médico e, consequentemente, compra mais remédio.

Para o professor Silvio Barberato Filho, do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), a medida tem um impacto positivo em reduzir a automedicação, mas ainda não resolve de forma eficaz o problema da resistência bacteriana.

“Temos estudos que demonstram que ainda há excesso de prescrição de antibióticos e prescrições equivocadas. Se a pessoa toma o remédio sem necessidade, mesmo comprando com receita, ela vai contribuir para o aumento da resistência”, diz.

A mesma opinião é compartilhada pelo infectologista Carlos Roberto Veiga Kiffer, pesquisador do Laboratório Especial de Microbiologia Clínica da Unifesp. “A má prescrição existe e é um dos fatores que nós médicos brigamos contra. O consumo precisa cair mais.”

Para Barberato, outras medidas, como a orientação específica ao profissional que prescreve antibióticos, deveriam ser tomadas para evitar a resistência. “O fato de o paciente comprar com receita não quer dizer que a receita não está associada ao mau uso. O controle das vendas é apenas um dos elementos para controlar a resistência bacteriana. Essa norma não consegue coibir a prescrição equivocada”, diz.

Classes específicas. Tese de mestrado defendida ontem na Uniso, orientada pelo professor Barberato, mostrou que nos seis meses depois do início da norma houve queda na venda antibióticos indicados para o tratamento de doenças respiratórias.

A pesquisa levou em consideração uma base de dados de cerca de 2.800 farmácias. Segundo Barberato, houve redução na venda da tetraciclina (39%), azitromicina (33%), amoxicilina (32%) e lincomicina (26%). “Essa queda aconteceu provavelmente porque esses eram os medicamentos mais vendidos sem receita”, afirma.

Segundo Nelson Mussolini, vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), o mercado farmacêutico cresceu 20% no último ano. A tese da indústria para explicar o aumento nas vendas é a de que nunca houve uma automedicação tão exagerada quanto era imaginado.

“Ninguém toma antibiótico se não precisa. E sempre há um pico de venda nos meses de inverno, por causa dos problemas respiratórios”, diz Mussolini.

Sistema. Apesar de ter publicado a norma há quase um ano, a Anvisa não tem um levantamento oficial sobre o consumo. Pela nova regra, as farmácias deveriam fazer a escrituração eletrônica das receitas retidas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) a partir de abril deste ano, mas o prazo foi suspenso por tempo indeterminado.

Assim, a Anvisa depende dos dados manuais feitos por cada estabelecimento. Segundo a assessoria, o prazo foi suspenso porque o sistema atual não comportaria uma demanda tão grande de informações. A agência também atribui o aumento do consumo ao crescimento do mercado.

Fonte: Estadão

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Alzheimer e economia mundial

A doença de Alzheimer deve pesar cada vez mais na economia mundial nos próximos anos.Entre 24 e 37 milhões de pessoas já vivem com a doença, incurável, um número que pode chegar a 115 milhões até 2050.

A doença de Alzheimer “é a mais grave crise sanitária e social do século 21”, declarou Daisy Acosta, presidente da associação Alzheimer’s Disease International, sediada em Londres.

Acosta avaliou em 604 bilhões de dólares os gastos relacionados à doença em 2010, o equivalente a 1% do PIB mundial. “Se fosse um país, seria a 18ª economia do mundo em termos de PIB”, observou.

Porém, as verbas utilizadas para a pesquisa são mínimas em relação a outras doenças, observou Bill Thies, da Alzheimer’s Association.

“Investimos US$ 6 bilhões por ano na luta contra o câncer, US$ 4 bilhões contra as doenças cardiovasculares e US$ 2 bilhões contra a Aids. Já a pesquisa para a doença de Alzheimer movimenta apenas US$ 450 milhões”, apontou.

Via G1

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Corrigir informação não nos faz apagar o dado anterior – Mente e Cérebro

Erros continuam arquivados no cérebro e podem se misturar a fatos corretos, levando as pessoas a tomar decisões equivocadas

Depois de perceber um erro, as pessoas geralmente fazem o possível para reparar o engano: empresas pagam indenizações, notas de provas são alteradas e jornais publicam erratas. Porém, segundo um estudo desenvolvido na Universidade Western, na Austrália, o dano causado não é esquecido – mesmo que sejamos explicitamente orientados a ignorar a informação equivocada.

Durante a pesquisa, o psicólogo Ullrich Ecker e sua equipe solicitaram a voluntários que lessem o relato de um acidente com um ônibus que transportava idosos. Em seguida, os pesquisadores retificaram a informação: os passageiros eram jovens.  Para metade dos participantes foi dito, ainda, que as vítimas do acidente eram jogadores de hóquei. Alguns voluntários escolhidos aleatoriamente foram avisados de que deveriam se esforçar para lembrar apenas da versão correta da história.

Por fim, os participantes deveriam narrar a notícia. Apesar de a grande maioria ter conseguido recordar da correção feita, muitos ainda erraram ao concordar com afirmações como “os passageiros eram frágeis, por isso acharam difícil sair do ônibus”.

Esses resultados mostram que informações “falsas” não são simplesmente esquecidas e podem se misturar às verdadeiras, levando as pessoas a tomar decisões equivocadas, mesmo após muito tempo.

via Corrigir informação não nos faz apagar o dado anterior – Mente e Cérebro

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Fantasma arrependido por Bernardo Esteves – Revista Piauí

Sobre o patrocínio de artigos pela indústria farmacêutica…

“Um espectro assombra a literatura médica. Continuam vindo à tona episódios em que a indústria farmacêutica patrocina artigos que promovem seus produtos, assinados por pesquisadores aparentemente independentes. Para discutir a questão, a revista PLoS Medicine publicou em agosto uma série de artigos sobre o tema, incluindo um relato em primeira pessoa de uma ghostwriter arrependida que por 11 anos trabalhou para a indústria farmacêutica. A revista criou ainda um portal que reúne todo o material já publicado sobre o assunto em suas páginas.

Não vem de hoje o envolvimento dessa revista com o combate à autoria fantasma, como se convencionou chamar o fenômeno (do inglês ghostwriting).
Em 2009, a publicação ajudou a trazer à tona cerca de 1.500 documentos que comprometiam a gigante da indústria farmacêutica Wyeth. Os documentos mostravam que a companhia promovera a publicação de artigos que destacavam as qualidades de seus medicamentos para a reposição hormonal para mulheres, fazendo vista grossa para seus efeitos colaterais – que incluíam o risco de doenças cardiovasculares e câncer de mama. Os documentos, trazidos a público em parceria com o New York Times, revelam que a empresa pagou autores fantasmas envolvidos na publicação de 26 artigos publicados entre 1998 e 2005.

Naquela ocasião, a PLoS Medicine qualificou num editorial o episódio como “uma das mais convincentes exposições já vistas de manipulação e abuso sistemáticos da publicação acadêmica pela indústria farmacêutica e por seus parceiros comerciais”.

Dois anos depois, a revista revisitou o caso em três artigos e um editorial. Um texto assinado por Simon Stern e Trudo Lemmens defende que os autores que emprestam seu nome e credibilidade a artigos escritos na verdade por representantes da indústria farmacêutica sejam legalmente punidos, com sanções que não se restrinjam ao universo acadêmico. Um outro artigo, escrito por Alastair Matheson, destrincha as diretrizes do Comitê Internacional de Editores de Periódicos Médicos para a definição do que constitui a autoria de um trabalho científico e mostra como elas legitimam a prática da autoria fantasma em proveito dos interesses comerciais das grandes
companhias.

A peça mais interessante do pacote, no entanto, é um relato pessoal de uma bióloga que, por 11 anos, trabalhou como ghostwriter da indústria farmacêutica. Em texto escrito na primeira pessoa, Linda Logdberg, vinculada ao Centro de Ciências Fernbank, em Atlanta (EUA), conta que escreveu, para uma companhia cujo nome ela mantém em sigilo, artigos acadêmicos, mas também uma série de outros documentos – apresentações de slides, monografias, planos de publicação etc.

No início, Logdberg não fazia questionamentos éticos sobre seu trabalho – “por muitos anos considerei meu papel similar àquele de um técnico bem pago”, escreveu. Ao discutir suas motivações, a bióloga contou que começou a fazer esse trabalho por ter perdido o gosto pela carreira acadêmica. A flexibilidade de trabalhar em casa e a possibilidade de interagir com pesquisadores de alto nível também foram fatores importantes, mas talvez não o mais fundamental deles. “O pagamento era bom”, escreveu a bióloga. “Realmente bom, especialmente se comparado com o salário típico de uma professora assistente.”

Com o tempo, o trabalho começou a perder o charme e a bióloga passou a se ver às voltas com conflitos éticos consigo mesma – como no caso de um anticoncepcional que causava sangramento vaginal grave e imprevisível em algumas mulheres. “Meu trabalho era redigir o rascunho de uma monografia que delinearia os benefícios do produto, um dos quais, segundo o cliente, seria o fato de a mulher poder ao menos antecipar o sangramento, embora ele pudesse ser grave.”

A gota d’água veio na revisão de um artigo sobre uma droga contra o déficit de atenção com hiperatividade – um distúrbio que acomete dois dos filhos da bióloga. Na impossibilidade de discutir um ponto questionável do artigo que estava revisando, ela decidiu abandonar a carreira de ghostwriter e decidiu entrar em contato com o New York Times para denunciar o caso. Ela conta ter sido ameaçada de retaliação legal por violação de uma cláusula de confidencialidade.

A iniciativa de Logdberg é louvável, mas localizada. Em editorial sobre o tema publicado em agosto, a PLoS Medicine admite que há novas perspectivas sobre o problema, mas poucas soluções em vista. Um primeiro passo, como sugere o texto, talvez seja encarar o problema de frente: “Todos envolvidos na indústria da publicação médica, incluindo periódicos, instituições e as agências reguladoras de pesquisa precisam tomar ações específicas para erradicar as práticas corruptas de autoria aparentemente endêmicas que ainda existem na literatura médica – eles podem começar admitindo a extensão do problema.”

Revista Piauí

@giselecgs

 

 

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"Um simples cérebro, sendo bem mais longo do que o céu, pode acomodar confortavelmente o intelecto de um homem de bem e o resto do mundo, lado a lado." Emily Dickinson
"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." Nelson Rodrigues
"Cada um pense o quiser e diga o que pensa" Espinosa
"O animal satisfeito dorme" Guimarães Rosa
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