Sim, ele é Deus

Brudenell Avenue Leeds LS6, Hyde Park - United Kingdom

Em meados dos anos 60, jovens pixavam Londres com a inscrição “Clapton is God” (“Clapton é Deus”) por toda parte. Parece até exagero, afinal existem muitos guitarristas tão bons quanto ele. Mas não é.

Ontem, 12/10/2011, eu e meu pai constatamos isso ao vivo, e realmente o que vimos está longe de ser humano.

Com pontualidade britânica e respeito ao público, um tímido ‘thank you’ ou sua variação ‘thank you very much’ no final de cada música só aumentou minha admiração por esse gigante do blues. Afinal, quem liga pra simpatia com aquela guitarra “conversando” durante 1h40min de apresentação? (veja o setlist aqui).

O Sr. Clapton também calou a boca de quem dizia que sua voz está fraca e tocou quase o tempo todo de olhos fechados apenas sentindo as notas, que por muito pouco, não me levaram às lágrimas.

Definitivamente, mostrou que aos 66 anos está em plena forma, com muito virtuosismo e prazer em dedilhar a sua Fender Stratocaster Daphne Blue, especialmente customizada para ele.

Eric Clapton durante show da noite desta quarta (12) no Morumbi, em São Paulo (Foto: Raul Zito/G1)

Foi o primeiro show em que permaneci sentada o tempo todo, incrédula, assim como as outras 45 mil pessoas. Mas já no encerramento, foi impossível não dançar ao som de ‘Cocaine’, e logo em seguida, com o bis ‘Crossroads’, acompanhado do texano Gary Clark Jr., que abriu com louvor a noite de ataque bluseiro no Morumbi, que pôde lavar a alma após duas noites de Justin Bieber.

Inesquecível.

@larissaomfaria

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Dez anos de iPod

Quem usa transporte público certamente reconhecerá a cena: ônibus ou vagões de metrô cheios de pessoas com fios saindo dos ouvidos. Nem as crianças escapam.

Houve um tempo em que jogadores de futebol jogando fora de casa se reuniam para jogar baralho, cantar ou conversar no ônibus.

Hoje, muitos saem do veículo usando fones de ouvido. A viagem se tornou um desfrutar solitário de suas coleções pessoais de músicas ou filmes.

Corredores, ciclistas, até nadadores treinam com fones de ouvido.

O “estéreo pessoal” está no mercado há três décadas. Mas o iPod – o tocador de mp3 mais vendido do mundo – expandiu os limites da tecnologia original de forma antes inimaginável. (Você se lembra dos bojudos e pesados Sony Walkman e Discman?)

Alto Astral

Desde que a Apple lançou seu primeiro iPod, em outubro de 2001, prometendo “mil músicas no seu bolso”, a companhia já vendeu mais de 300 milhões desses aparelhos.

Em 2005, a mídia recebeu com surpresa a revelação de que o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tinha um iPod. Hoje, isso não seria novidade.

Por volta de 2007, mais de a metade de todos os moradores de cidades usavam um iPod ou tocador de mp3, disse à BBC o escritor Michael Bull, autor do livro Sound Moves: iPod culture and urban experience, um livro que analisa o impacto cultural dessa tecnologia sobre as sociedades urbanas.

Hoje, o iPod deixou de estar associado à cultura jovem e expandiu seu mercado para incluir crianças e seus avós. Pesquisas indicam que quando as pessoas passam a usar um tocador de mp3, ouvem música durante o dobro do tempo que ouviam antes, disse Bull.

Para o editor do site Cultofmac.com, Leander Kahney, o iPod enriqueceu as vidas das pessoas, permitindo que escapem das aflições diárias.

“Tem sido uma grande benção para as pessoas a caminho do trabalho. Não existe nada como o iPod para levantar a moral.”

E apesar de tentativas de competidores como a Microsoft de lançar suas próprias versões, o produto da Applo não teve oposição significativa. Sua fatia do mercado não vai abaixo dos 70%.

Trilha Sonora

O teuto-brasileiro Andreas Pavel, que inventou, na década de 1970, um aparelho que foi precursor do iPod de hoje, é tido como o pai espiritual da cultura do fone de ouvido.

Seu objetivo, na época, era libertar a música gravada dos confins do estéreo doméstico.

Mas quando ele experimentou pela primeira vez seu protótipo – “essa combinação mágica de fonte de som e fone de ouvido” – ele sentiu algo transcendental.

“Foi como um sonho. É o prazer da música combinado à visão do seu ambiente. Você está colocando uma trilha sonora na sua vida e ela fica como um filme”, disse Pavel à BBC.

Naquele tempo, muitos riram dele por querer andar por aí ouvindo música em fones de ouvido, lembra o inventor. E a Sony lhe disse que o protótipo era muito caro, nunca encontraria um mercado.

Mais tarde, no entanto, a companhia lançou o Walkman. Em 2003, após 23 anos de negociações, os advogados da Sony chegaram a um acordo com Pavel. Fora do tribunal.

Problema de Imagem

Onipresente, a cultura do fone de ouvido é com frequência associada a uma geração de jovens mimados, egoístas e desprovidos de valores cívicos.

Em 2007, quando marinheiros britânicos foram aprisionados pelo governo do Irã, acusados de terem invadido suas águas, um deles admitiu ter “chorado como um bebê” quando os captores confiscaram seu iPod. O marinheiro envergonhou a nação – disseram os jornais britânicos.

No mesmo ano, uma muçulmana britânica que atuava como jurada em um julgamento por homicídio foi excluída do tribunal por ter sido flagrada ouvindo música em um iPod escondido sob seu véu durante a audiência.

A grande preocupação em relação ao iPod é de que ele esteja tornando as pessoas anti-sociais. Não apenas por causa do som que vaza dos fones de ouvido, mas também pela barreira que o aparelho ergue entre seu usuário e as outras pessoas.

Para a colunista do jornal britânico Daily Telegraph, Bryony Gordon, os jovens de hoje cresceram “plugados” e não sabem se relacionar com o ambiente que os cerca.

“Eu não pararia uma pessoa usando aqueles fios brancos para perguntar o caminho”, disse Gordon. Para ela, é como se eles estejam carregando uma placa dizendo: “Estou fechado”.

As entrevistas de Bull com usuários de iPods confirmam essa percepção. Muitos disseram a ele que se ressentem se pessoas os interrompem enquanto ouvem música.

Boas Maneiras

Torna-se necessário, então, estabelecer a “etiqueta” do iPod. Como devemos nos comportar quando estamos plugados?

Por exemplo, deveria o usuário tirar os fones de ouvido ao falar com um vendedor dentro de uma loja? Será que ele deve tirar um fone e deixar o outro? Ou manter os dois e abaixar o volume?

A consultora do tradicional guia de etiqueta britânica Debrett’s, Liz Wyse, disse que os dois fones precisam ser retirados. “É humilhante para o vendedor de uma loja se você não pode sequer tirar os fones de ouvido”, disse.

Porém, fazendo uma reflexão sobre os desafios da convivência em espaços públicos hoje em dia, Wyse defende o iPod como uma forma de se neutralizar um aborrecimento ainda maior: o telefone celular.

“O iPod é brilhante em trens. Senão você é forçado a ouvir as conversas altas das pessoas no celular”.

O psicólogo Oliver James disse que a relutância das pessoas em tirar os fones de ouvido mostra quão autocentrado e atomizado é o homem contemporâneo.

“Será que vou sair da minha bolha? Até que ponto vou ceder à realidade externa?”

A verdade é que o iPod se encaixa nos nossos desejos modernos, disse Bull.

“Pode ser solitário viajar em espaços públicos e a música traz um calor à experiência”.

O problema é que enquanto o indivíduo se sente aconchegado – e até mais seguro, apesar de incapaz de perceber a aproximação de um possível agressor – a esfera pública fica mais fria e menos acolhedora.

Sinal dos Tempos

Bull argumenta, no entanto, que o iPod não provocou esse estado de coisas, apenas reflete uma tendência.

“A presença de pessoas perto de você na rua não é reconhecida como uma forma de convívio social nos tempos de hoje”, disse.

“Vivenciamos a intimidade a partir das relações com as pessoas que amamos e estão perto de nós ou com aquelas que estão ausentes mas presentes em sites de bate-papo ou na mídia social”.

Defendendo sua criação, o inventor do precursor do Walkman, Andreas Pavel, disse que nunca teve a intenção de isolar as pessoas do mundo exterior. Ele explicou, inclusive, que sua patente incluía um microfone que, sem gravar sons, permitia que o usuário ouvisse o mundo à sua volta junto com a música.

A patente também previa quatro entradas para fones de ouvido para que as pessoas pudessem ouvir música em grupos.

As duas inovações não foram adotadas pela Sony.

O impacto da tecnologia sobre a audição

Na Grã-Bretanha, um terço de pessoas com idades entre 16 e 34 anos ouve música no seu tocador de MP3 durante pelo menos uma hora por dia. 14% ficam plugadas pelo menos 28 horas por semana. Muitas, no volume máximo.

Ou seja, foi ativada uma bomba-relógio que, ao explodir, trará uma onda de problemas auditivos à população dentro de alguns anos.

Quando testamos tocadores de MP3, descobrimos que o volume da maioria dos aparelhos alcança 100 deciéis, dez decibéis acima do ruído produzido por uma britadeira. Alguns alcançam 120 decibéis. Milhares de pessoas vão precisar de aparelhos de surdez quando chegarem aos 40 e 50 anos – em vez dos 60 e 70.

Parte do problema é que as pessoas ouvem música no transporte público, onde já existe muito ruído ambiente. Se você usar fones que cobrem os ouvidos, eles bloquearão o ruído ambiente, o que significa que você não precisará ouvir a música tão alto.

Fonte: BBC Brasil

@larissaomfaria

Semana Mundial do Rock n’ Roll

Caros leitores!

Esta semana será de muito rock n’ roll, com uma pequena pausa para nosso querido cérebro. Durante todos os dias vocês poderão ver postagens de vídeos e curiosidades sobre a história deste gênero que agrada a todas as gerações!

OH YEAH YEAH!

@larissaomfaria

31 de Maio: DIA MUNDIAL SEM TABACO

No cérebro, o cigarro aumenta o risco de incidência de acidentes vasculares e demências em geral, incluindo a Doença de Alzheimer.
Que tal parar de fumar e começar a praticar um esporte?


San Francisco – Haight-Ashbury (por The Diger Papers).

Fonte: Google Imagens

@larissaomfaria

100 bilhões de saudades

Há 2 anos, no dia 01/05, perdemos Francesco Langone.

Francesco, além de excelente pesquisador era um mestre por excelência. Exigente, rígido, meticuloso, sempre preocupado com a formação dos seus estudantes. Essa preocupação também se estendia além dos limites da universidade. Resta-nos a memória de sua boa convivência, de seus ensinamentos e dos excelentes exemplos que ele nos deixou. Tenho certeza que essa memória será de longo-prazo, daquelas que permanecem não apenas anos, mas toda uma vida.

Segue o texto de Fabrício Donizete da Costa, em sua homenagem.

100 bilhões de Saudades – Homenagem ao Prof. Langone

A vida e as células neurais são comparáveis? Em alguns aspectos talvez. Tanto uma quanto a outra são enigmáticas. Ambas necessitam de conexões para estarem vivas. Dialogam constantemente, mesmo no terreno imperioso do silêncio. Ambas residem no mais singelo. São inquietantes por natureza. Ambas possuem um limite tão tênue que beiram ao infinito. Essas semelhanças, tão intercambiáveis, possibilitam que vida e neurônios se misturem de tal forma a produzir uma substância amorfa e única, cujo significado talvez seja tangenciado pelas palavras missão, ciência, sabedoria, afeto, educação, paixão. Vida e células neurais são parecidas até nas fragilidades: ambas são ceifadas pela morte.

Faço uso dessas reflexões para revogar a memória de um querido professor do IB. Do Básico essencial, cujos olhos hospitalocêntricos muitas vezes recusam a apreciar. Na última sexta-feira, primeiro de maio, nosso Prof. Francesco Langone, uma figura talentosa e dedicada, que no primeiro ano ministra aulas sobre a junção neuromuscular, e mais intensamente nos acompanha no segundo ano no módulo Neurociências, deixou nossas sinapses confusas com a sua morte. Tão hercúleo, se desdobrava para que não deixássemos de dar atenção a complicadas conexões, inter-relações imbricadas com efeitos fantásticos, corriqueiros aos olhos do dia-a-dia, do desconhecido. Nem a doença era-lhe um antagonista! Chegou a abrilhantar algumas aulas frente à sombra de uma doença.

Uma vez, em uma de suas aulas me perguntei se devido ao fato de os gatos terem sete vidas, seria por isso que eram tão usados para experiências. Eram um símbolo de resiliência e, ao mesmo tempo, de doação. Hoje me pergunto se este professor que agora descansa, tendo apenas uma vida aparente, mesmo perdendo esta única preciosidade, acaba que não a perdeu de fato, visto que sua lembrança é viva, uma conexão com o reforço positivo da dedicação pelo estudante, que não se apaga tão facilmente.

De fato seu pensamento veloz não era de fácil seguimento, sobretudo para neurônios iniciantes, frente aos 100 bilhões de parentes a conhecer. Entre oscilações da voz, um bálsamo inverso aos sonolentos, Prof. Langone fazia de bailarinas um perfeito arranjo labiríntico. Vida e neurônios, todos contra as quedas. E o mistério dos gatos que se desviram pela magia da conversa afinada entre aferências e eferências neurais.

Vida e neurônios, um mote forte para aqueles que a cunhagem dos sentimentos se vê dolorosa. Um professor dedicado, que nem as terminações livres em excesso ativadas conseguiu o foco desviar, não se pode encontrar rede neural que exprima uma gratidão de valor simbólico compatível ao que se recebeu em vida, de um professor por excelência.

No primeiro de maio, o trabalho de um professor se findou neste terreno. Trabalho este humanamente cumprido. Espero que a vista panorâmica seja agradável, que as estrelas sejam semelhantes aos neurônios, intensamente ativas, e que a neuroplasticidade imposta pela árdua e inevitável tarefa do luto, rearranjem a sua imagem no cantinho resguardado às saudades. Um santuário onde a vida reina soberana.

@larissaomfaria

Terapia II

Daqui

@giselecgs

Pensando antes de dormir

ô_O

Daqui

@giselecgs

Por um fio

Muitos pensamentos também quase se perdem por um fio, talvez esse fio seja o que nos permite a sanidade…ou nos amarram a ela.

@giselecgs

A imagem é daqui

Warning

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@giselecgs

Post secret

Vi aqui

@giselecgs

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"Um simples cérebro, sendo bem mais longo do que o céu, pode acomodar confortavelmente o intelecto de um homem de bem e o resto do mundo, lado a lado." Emily Dickinson
"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." Nelson Rodrigues
"Cada um pense o quiser e diga o que pensa" Espinosa
"O animal satisfeito dorme" Guimarães Rosa
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