Apetite por sal está ligado à dependência química

Pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, descobriram que drogas que causam dependência podem utilizar as mesmas células nervosas e conexões no cérebro que regulam um mecanismo conhecido: o apetite por sal.

Os resultados mostram como certos genes são regulados no hipotálamo, região cerebral que controla o equilíbrio de sal, água, energia, reprodução e outros ritmos. Os cientistas descobriram que os genes ativados pelo estímulo de um comportamento instintivo, no caso o apetite por sal, foram os mesmos grupos de genes ativados pelo vício em cocaína ou opiáceos (como a heroína).

“Ficamos surpresos e satisfeitos em ver que o bloqueio de caminhos relacionados ao vício poderiam interferir com o apetite por sódio. Nossos resultados têm profundas e amplas implicações médicas, e poderia levar a uma nova compreensão da dependência e das conseqüências prejudiciais quando alimentos que incentivam a obesidade estão sobrecarregados com sódio”, disse o co-autor Wolfgang Liedtke.

“Apesar de instintos como o apetite por sal serem basicamente programas de genética neural, eles podem ser substancialmente alterados pela aprendizagem e cognição. Uma vez que o programa genético é operacional, experiências que fazem parte da execução do programa incorporam-se nos padrões globais de comportamento do indivíduo, e alguns cientistas especulam que a dependência de drogas pode utilizar vias neurais do instinto. Neste estudo, demonstramos que um instinto clássico, o apetite por sal, está fornecendo organização neural que regula a dependência de opiáceos e cocaína”, explicou o co-autor Derek Denton.

Vias profundas de um instinto antigo podem explicar por que o tratamento de dependência com o objetivo principal da abstinência é tão difícil. Isso pode ser relevante devido ao sucesso apreciável de abordagens que não envolvem a abstinência, como a substituição de heroína por metadona e cigarros por gomas ou adesivos de nicotina. “O trabalho abre novas vias de abordagem experimental ao vício”, disse Denton.

Para o estudo, a equipe utilizou duas técnicas para induzir o comportamento instintivo em ratos – eles retiveram o sal por um tempo combinado com um diurético e também usaram o hormônio do estresse, a adrenocorticotrofina (ACTH), para aumentar as necessidades de sal.

Os pesquisadores ficaram surpresos quando puderam detectar que genes eram “ligados” ou “desligados” no apetite por sal. Esses padrões eram muitas vezes revertidos dez minutos após os ratos ingerirem uma solução de sal, bem antes que qualquer sal significativo pudesse ser absorvido pelo intestino para a corrente sanguínea.

A equipe descobriu que quando o animal possui um apetite grande por sódio, uma determinada região do hipotálamo parece se tornar suscetível aos efeitos da dopamina, que é a moeda interna do cérebro para a recompensa.

Isso sugere que o estado da necessidade instintiva, a falta de sódio, leva o hipotálamo à experiência subjetiva da recompensa que se segue quando os animais satisfazem uma necessidade.

Este conceito é apoiado pela descoberta de que as ações locais de dopamina em uma sub-região do hipotálamo são críticos para o comportamento instintivo dos animais.

Fonte: Science Daily

Para ler o artigo completo, clique aqui.

@larissaomfaria

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

"Um simples cérebro, sendo bem mais longo do que o céu, pode acomodar confortavelmente o intelecto de um homem de bem e o resto do mundo, lado a lado." Emily Dickinson
"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." Nelson Rodrigues
"Cada um pense o quiser e diga o que pensa" Espinosa
"O animal satisfeito dorme" Guimarães Rosa
%d blogueiros gostam disto: