Cannabis Sativa: efeitos e legalização

Texto elaborado pelo convidado Ricardo Schinaider de Aguiar.

O THC (delta-9-tetraidrocanabinol) é o principal composto psicoativo da maconha. Em nosso cérebro possuímos neurônios com receptores canabinóides, que estão inseridos na membrana celular. Estes receptores são ativados por um neurotransmissor chamado anandamida, que pertence ao grupo das substâncias químicas denominadas canabinóides. Ele é endógeno, ou seja, produzido pelo nosso próprio organismo, e sua função está relacionada a efeitos analgésicos, ansiolíticos e antidepressivos.

O THC é um agonista exógeno da anandamida, ou seja, ele não é produzido por nosso organismo mas “copia” a ação da anandamida e consegue se ligar aos receptores canabinóides, ativando os neurônios nos quais estão presentes. Como há alta concentração destes receptores em neurônios do hipocampo, do cerebelo e da região do gânglio basal, o THC irá afetar a memória e a coordenação motora do usuário. Os receptores canabinóides também estão presentes no núcleo accumbens, região associada ao sistema de recompensa. O THC, ao estimular este sistema, causa a liberação de dopamina, responsável pela sensação de euforia após o seu consumo.

5 MOTIVOS PARA A LEGALIZAÇÃO DA MACONHA: A LIBERDADE É FUNDAMENTAL

Não podemos renunciar, e nunca renunciaremos, ao direito à nossa consciência. Só respondemos por ela ante Deus. Os poderes legítimos do governo se aplicam somente se há lesão a outros.” – Thomas Jefferson

A planta Cannabis Sativa, conhecida popularmente como maconha, é atualmente considerada uma droga ilícita no Brasil e em grande parte do mundo. Historicamente, porém, a maconha já era utilizada na China no ano 7000 a.C. como medicamento, e os romanos e gregos aproveitavam sua fibra para fabricação de papel e tecidos. Até o final do século XIX, 90% do papel utilizado no mundo era feito a partir de Cannabis. No começo do século XX, o uso recreacional devido às suas propriedades euforizantes já era disseminado e, a partir da década de 30, diversos países começaram a tornar ilegal seu plantio, venda e consumo.

As conseqüências do uso da maconha são muitas, dentre as quais estão prejuízos à concentração e memória de curto prazo, ataques de pânico, paranóia, depressão e retardo psicomotor. Entretanto, seus malefícios não são motivos para sua ilegalização, e as vantagens da legalização superam, em muitos sentidos, as desvantagens. Ao longo deste texto irei abordar cinco dos tópicos que julgo mais interessantes a respeito da legalização da droga.

1-) Alberto Benegas Lynch, professor de Economia na Universidade de Buenos Aires, realizou um estudo a respeito da legalização de drogas e, ao fim de seu trabalho, redigiu um texto intitulado “32 reflexões pela liberação das drogas”. Cito uma de suas principais conclusões como o tópico número um de meu texto:

“(…) Não é moral criminalizar o que não constitui crime. Neste sentido, não se deve confundir um vício pelo qual uma pessoa prejudica a si mesma ou a sua propriedade com uma lesão ao direito de terceiros, através do qual se prejudicam outras pessoas ou suas propriedades”. Em outras palavras, o uso da maconha não constitui um crime, e se não se está prejudicando ninguém mais além de si mesmo, não deve ser criminalizado.

2-) A legalização da maconha não irá aumentar o número de usuários. Não é pelo fato de que podemos comprar uma droga que iremos experimentá-la. Comprarão a droga somente aqueles que querem experimentá-la. Porém, a grande maioria, senão todos, que querem experimentá-la, conseguem fazê-lo mesmo ela sendo ilícita. Portanto, sua legalização não aumentará o número de compradores e, além disso, irá proporcionar maior controle sob sua venda.

3-) É necessário diferenciar uso de abuso. O álcool, por exemplo, é droga comprovadamente mais viciante do que a maconha. Em pesquisa realizada em 1994 pelo Dr. Neal L. Benowitz, da Universidade da Califórnia, e pelo Dr. Jack E. Henningfield do NIDA (National Institute on Drug Abuse), classificou-se o grau de dependência de drogas de 1 a 6, sendo 1 o mais viciante e 6 o menos. O álcool foi classificado em nível 4, enquanto a maconha apenas em nível 6. Então, da mesma maneira como nem todos que experimentam ou consomem bebidas alcoólicas se tornam alcoólatras, nem todos que experimentam ou consomem maconha se tornam viciados.

4-) A ilegalização da maconha gera grandes lucros para o tráfico. Apenas o fato de ser uma substância ilegal já a torna mais cara e, conseqüentemente, acaba gerando maior lucro para quem a vende. Além disso, muito mais importante do que dinheiro são os riscos que quem quer adquirir a maconha corre pelo fato dela ser ilegal. Novamente citando Lynch, seus consumidores muitas vezes precisam entrar no circuito do crime para obtê-la. O autor ainda ressalta que quanto maior a perseguição por parte do governo, maior será o número de pessoas violentas envolvidas e maior será o número de vítimas inocentes feridas e mortas.
Portanto, a legalização da maconha não apenas diminuiria consideravelmente o lucro obtido por traficantes, como também diminuiria o número de pessoas que se tornam vítimas do tráfico.

5-) Deve-se ter a liberdade de escolha para utilizar maconha ou não. Obviamente, deverá ser avisado ao consumidor os riscos e prejuízos que a droga traz para a saúde daqueles que a utilizam, e aqueles que colocam em risco a vida de outros devido ao seu uso deverão ser punidos, assim como quem conduz um veículo embriagado. É importante ressaltar que a maconha é uma droga que pode viciar e causar inúmeros danos à saúde, mas devemos ter a liberdade para poder escolher utilizá-la ou não. E a liberdade para esta escolha é fundamental.

Referências:

“32 reflexões pela liberação das drogas”, Alberto Benegas Lynch, (22/02/2010)

“Is Nicotine Addictive? It Depends on Whose Criteria You Use”, Jack E. Henningfield, em reportagem de Philip J. Hilts para o New York Times ( 02/08/1994)

@larissaomfaria

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Anonimato
    dez 23, 2012 @ 18:48:02

    Eu aceito a legalidade das drogas, para mi as drogas tem o seu efeito estimulante imagine qui eu nao bebo nem tomo mas preciso estimular opto pela canabis, si nao a probabilidade e eu inforcarme e mair axando qui fujo dos meus probles, o qui nao axu certo perante a deus e a propria lei. Moz

    Responder

  2. Breno Raphael
    jun 05, 2014 @ 10:46:45

    MUITO BOM O TEXTO

    Responder

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