A origem do Rock N’ Roll

Texto modificado do blog Eddy Teddy. Boa leitura!

@larissaomfaria

Não tem como falar de Rock N’ Roll sem falar um pouco da origem de tudo: o BLUES.

“Os blues são as raízes e as outras músicas são os frutos. É bom manter as raízes vivas, porque isso significa melhores frutos para o futuro”. Willie Dixon

Blues é a essência da música negra, levada da África para os Estados Unidos pelos escravos, que foram trabalhar nos campos de algodão no sul do país. Essa manifestação objetivava amenizar o sofrimento destes trabalhadores e também lembrá-los da sua origem. No seu desenvolvimento, porém, o Blues sofreu influencias não só africanas, mas também das mais tradicionais baladas européias.

Como estilo musical, o blues evoluiu à partir do final do século passado, quando surgiram pequenas variações estatísticas, algumas determinadas apenas por diferenças geográficas. Cada região tinha seu expoente do blues, como foi o caso de CHARLEY PATTON Patton no Delta do Mississippi.

Outro expoente, Huddie Leadbetter ou LEADBELLY, como ficou conhecido, nasceu em Mooringsport, Louisiana e era descendente de negros e indios Cherokee. Leadbelly desenvolveu um tipo de Blues tirado das canções entoadas por aqueles que, com ele, executavam trabalhos pesados nas penitenciarias estaduais. Sua mais famosa composição foi GOODNIGHT IRENE, que vendeu 2 milhões de cópias no ano seguinte de sua morte em 1950.

A Repressão de 1929 ocasionou nova diversificação estatística no Blues. Milhares de negros desempregados foram para o norte, em busca de trabalho, principalmente nos grandes centros industriais como Chicago e Detroit. Desenvolveu-se assim, uma diversificação entre o Blues do Delta do Mississippi (Sul) e o Blues Urbano (Norte). Este último, centrado em Chicago, veio a crescer em bares e clubes fechados, tornando-se mais estridente e dissonante que o tradicional blues acústico do Sul. Nascia assim o Rhythm and Blues que teve início com a utilização de teclados, percussão e baixo, para acompanhar os cantores.

O estilo próprio de Chicago evoluiu ainda mais com a chegada, no período do pós guerra, de vários cantores. A isto se deve o surgimento em Chicago da Chess Records, que pertencia a dois imigrantes poloneses, donos de uma rede de night clubs e bares situados nos bairros de Chicago habitados pela população negra. Com a Chess surgiram nomes como o de MUDDY WATERS.

Muddy, cujo nome era Mckinley Morganfield, nasceu no Mississippi em 1915 e foi influenciado por ROBERT JOHNSON. Johnson foi um dos mais inventivos cantores de blues de Chicago mas foi tragicamente assassinado aos 24 anos, em 1938. Muddy Waters gravou vários Lps nos anos 50 e sua influencia sobre os grupos ingleses, principalmente, foi decisiva. A influencia de Muddy foi tão grande que, os Rolling Stones por exemplo, escolheram esse nome, tirando-o do titulo de uma das músicas de Muddy Waters, falecido em 30 de abril de 83.

Outro grande músico e compositor de Chicago é WILLIE DIXON, contrabaixista da banda de Muddy Waters e autor de grandes clássicos do Blues como The Seventh Son e Hootchie Cootchie Man.

Willie foi um dos mais importantes elo de ligação entre o Blues e o Rock, chegando a tocar com CHUCK BERRY e BO DIDLEY.

Mais um exemplo: o guitarrista JOHN LEE HOOKER, de Clarksdale, Mississippi. Nasceu em 1917 e foi para Detroit depois da guerra. Seu estilo caracteriza-se pela constante alteração de ritmos e influenciou decisivamente o boom do rhythm & blues dos anos 60.

Também em Chicago, ficou famoso HOWLIN’ WOLF, vindo da Sun Records de Memphis (que havia lançado Elvis Presley). Wolf, cujo nome verdadeiro era Chester Burnett, nasceu em 1910 no Delta do Mississippi e sofreu forte influencia de Charley Patton. Fez varias viagens à Inglaterra e gravou para o selo Rollling Stones Records. Quando morreu em 1976, já tinha visto muitas bandas famosas reciclarem seu trabalho.

Em Kansas City, surgiu um estilo de Blues mais extrovertido, cujo cantores eram conhecidos como Blues Shouters (gritadores). JOE TURNER (Lou Willie Turner), foi o mais conhecido deles. Turner foi um dos que influenciou na formação do Rock & Roll.

Outro, que influenciou o Rock & Roll foi FATS DOMINO, nascido Antoine Domino, em 1928, em New Orleans. Domino cresceu no mesmo ambiente que produziu LITTLE RICHARD e em 1949, começou a trabalhar com o Trumpetista Dave Bartholomew, com quem formaria uma duradoura parceria. Autor de sucessos com I´m Wakin (The Walk, onde os Beatles se inspiraram para produzir o seu Lady Madona), Blueberry Hill, I´m in love Again, etc. Em 1967, Brian Epstein o convenceu a fazer uma turnê na Inglaterra onde foi muito bem recebido.

A ORIGEM DO TERMO ROCK AND ROLL

Por uma questão de tradição, essa abordagem resumirá ao tipo específico de musica a que esse termo se referia inicialmente, sem comentar as variações ocorridas depois de 1964, quando se tornou comum o uso somente da palavra Rock.

É difícil dizer quando o Rock and Roll surgiu. O termo já era usado como verbo e tinha um sentido sexual, amoroso.

No Blues pode ser encontrado em letras desde o início do século.

Rock me Baby, um blues antigo gravado entre outros por B.B. King, Joe Turner, Rod Stewart, Jhonny Winter, Blue Cheer e Jefferson Airplane, traz em sua letra versos como:
Rock Me Baby, Rock Me All Ninght Long
Rock Me Baby, Rock Me All Ninght Long
´Cause When You Rock And Roll Me, My Back Ain´t Got A Bone.

Nas versões de Jeff Beck e do Canned Heat algumas palavras foram alteradas, mas ainda mantendo o mesmo sentido básico.

Em 1948, Roy Brown gravou Good Rocking Tonight (mais tarde regravada por Elvis Presley) e, apesar de manter o compasso de blues, alterou o estilo triste para um formato acelerado, frenético, com um toque dos cantores religiosos negros, mais gritados do que murmurados.

Essa versão rápida de blues deu lugar ao que se chamou de Rhythm and Blues n(R&B) e que mais tarde, seria interpretado por cantores brancos e fundidos com o Rock and Roll.

Em 1951, Gunther Lee Carr gravou uma canção chamada We´re Gonna Rock, onde abandonava totalmente a implicação sexual do termo. Um ano mais tarde, Allan Freed batizou seu programa de radio de Moondog´s Rock n´ Roll Party, o que acabou de definir a expressão como designava de um tipo específico de música.

Allan Freed era um disc-jockey com um programa de música clássica que ia ao ar todas as noite em Claveland, Ohio. O dono de uma loja de discos convidou Freed a visitar sua loja e observar o que parecia ser uma nova moda: adolescentes brancos estavam comprando discos de R&B negro, coisa até então estranha à cultura jovem. No dia seguinte, Freed convenceu o diretor de estação de rádio a colocar no ar o correspondente a uma festa de Rock & Roll, após a parte clássica do programa.

A redação do publico foi tão espantosa que um ano mais tarde Freed organizou o primeiro concerto de Rock & Roll (1953) ocasião em que apareceram mais de 30.000 pessoa num local com capacidade para no máximo 10.000 e que fez com que o evento fosse cancelado.

Nesse mesmo ano o concerto foi reorganizado e acabou sendo um grande sucesso, com a participação de Big Joe Turner, Fats Domino, The Moonglows e The Drifters.

Na platéia mais de dois terços da audiência era composto por jovens brancos, o que provava a atração do publico branco por música negra.

Quando Allan Freed usou essa expressão pela primeira vez, estava se referindo à musica já existente (R&B). Porém Rhythm & Blues significava música para negros e Rock and Roll designava uma música aceitável por todos e acessível a todos.

No fim de 1953, quando o mercado negro representava menos de 6% das vendas totais de discos nos E.U.A, os brancos começaram a perceber o potencial da música negra no mercado e os distribuidores de Juke-Box se apressaram em colocar discos de Rock´n´Roll nas máquinas, para compensar a ausência nos programas de rádio em geral.

Os conjuntos brancos começaram também a incorporar R&B ao seu repertório e foi assim que Bill Haley and His Comets chegaram às paradas em Crazy Man Crazy, gravado num pequena e independente etiqueta (Essex).
O crescimento do Rock And Roll não pode ser separado do fenômeno de pós-guerra chamado “Cultura jovem”. A primeira reação da sociedade foi a de desaprovação, o que serviu para reforçar os sentimentos de revolta existentes nos adolescentes.

Um comentador de TV, referindo-se a Elvis Presley, disse que ele “é um jovem incrível pouco talentoso e vulgar. Para onde se vai depois de Elvis, anão ser para a obscenidade ? O que é contra a lei, por sinal.”

Muito se fez para banir o Rock & Roll mas, apesar de tudo, ele tinha chegado para ficar.

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Valeria Coradini
    out 31, 2011 @ 13:15:44

    ótima matéria ..quero acrescentar aqui pro Blues… esse link pra quem quiser baixar essa coletânea maravilhosa..blues de raíz mesmo de 1926-2002..
    vale a pena conferir.. eu amei!

    http://www.facebook.com/pages/M%C3%BAsica-pra-meus-Ouvidos/290074527685680

    http://www.lenhador.com/2008/08/blowing-blues-history-of-blues_28.html

    Responder

  2. Gênesis Nogueira
    ago 18, 2013 @ 00:35:17

    Ficou faltando informações… Nos corais de igrejas americanas o principal ritmo era o ROCK. Nessas igrejas normalmente eram frequentadas por negros. Dai os filhos dos brancos ia visitar, porem os pais não deixavam e argumentava dizendo que o que eles faziam ali era coisa do diabo, falavam isso pra os seus filhos não se misturar com os negros do bairro.., Dai começou a falsa expressão: O DIABO É O PAI DO ROCK.

    Responder

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