Olho no lance: Bullying altera a química do cérebro e leva à ansiedade

Chegamos a mais uma final de campeonato, e não foi dessa vez que o Corinthians, o campeão dos Paulistões, levou o caneco pela 27ª vez…

Mas o que isso tem a ver com bullying?

Os corinthianos sabem do que estou falando…são alvos de bullying (até o tálamo) há anos pelas torcidas rivais, ao lado dos flamenguistas, claro…

Mas ambos não estão sozinhos, não posso deixar de citar que os são-paulinos, chamados também de bambis, também passam por isso frequentemente.

E aproveitando a ocasião, segue uma notícia que saiu há um mês atrás no site Science Daily. A publicação original pode ser vista aqui.

Este estudo revelou que o bullying é capaz de alterar os sistemas neuroendócrinos e conduzir à mudanças no comportamento social. A equipe de pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos descobriu que ratos que foram intimidados constantemente por machos dominantes cresceram extraordinariamente nervosos em torno de novas companhias, e que a mudança no comportamento foi acompanhada por aumento da sensibilidade à vasopressina, um hormônio envolvido em uma variedade de comportamentos sociais. Estes achados sugerem como o bullying pode contribuir, a longo prazo, para ansiedade social em um nível molecular.

“Nós descobrimos que o estresse social crônico afeta os sistemas neuroendócrinos que são fundamentais para adaptação dos comportamentos sociais humanos, como os comportamentos monogâmico e parental”, disse o pesquisador Yoav Litvin. “Mudanças nos componentes destes sistemas têm sido implicadas em distúrbios como fobia social, depressão, esquizofrenia e autismo.”

Estudos com ratos

Litvin e seus colegas configuraram um cenário no qual um rato jovem foi colocado em uma gaiola com uma série de ratos maiores e mais velhos – um rato diferente a cada dez dias. Os ratos, em função do território, entram em combate e o rato menor invariavelmente perde. Após a batalha de dez minutos, os ratos foram separados na mesma gaiola por uma divisória que os mantém fisicamente separados, mas permite que um veja o outro, cheire e ouça, uma experiência estressante para o perdedor.

Dado um dia para descansar, os ratos em teste foram então colocados na companhia de ratos do mesmo tamanho e idade que não estavam sendo testados. A maior mudança de comportamento foi que os ratos traumatizados foram mais relutantes em se socializar com outros ratos, preferindo manter a sua distância em relação aos seus homólogos comparados com os ratos que não sofreram bullying. Os ratos que tinham perdido suas batalhas eram igualmente mais prováveis de a apresentarem freezing (congelamento) por longos períodos de tempo e exibirem frequentemente comportamentos de “avaliação de risco” em relação a seus novos companheiros de gaiola. Tais comportamentos compõem o repertório de defesa do animal, e têm se mostrado índices valiosos de medição do medo e da ansiedade em seres humanos.

Os pesquisadores também deram a um grupo de ratos uma droga que bloqueou os receptores do hormônio antidiurético, que limitou parcialmente alguns dos comportamentos de ansiedade em ratos intimidados. A equipe examinou então os cérebros dos ratos, especialmente o prosencéfalo conhecido por ser associado a emoção e ao comportamento social. Eles descobriram que a expressão de RNAm para receptores de vasopressina – especificamente V1bRs – aumentou em ratos intimidados, tornando-os mais sensíveis ao hormônio, que é encontrado em altos níveis em ratos com alta ansiedade inata. Em humanos, o hormônio está associado a estresse, agressão e ansiedade. O aumento de receptores de vasopressina foi especialmente notável na amígdala.

Por quanto tempo esses efeitos duram e permanecem é uma questão em aberto. Outros estudos descobriram, por exemplo, que o estresse crônico pode prejudicar as funções cognitivas em roedores e nas pessoas, mas que seus cérebros podem reverter, dado o tempo para se recuperar. Litvin acredita que seu estudo sugere que as vítimas de bullying podem ter dificuldade em formar novos relacionamentos, e identifica o papel para um possível receptor da vasopressina específico.

“A identificação dos sistemas neuroendócrinos do cérebro que são afetados pelo estresse abre portas para possíveis intervenções farmacológicas”, disse Litvin. “Além disso, estudos têm mostrado que a formação e manutenção de relacionamentos sociais positivos podem curar alguns dos danos do bullying. Estes sistemas dinâmicos neuroendócrinos podem estar envolvidos.”

@larissaomfaria

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