Se beber não dirija

Segundo este artigo, o álcool é a droga mais disponível para o consumo entre as drogas disponíveis no mercado. É um produto de baixo custo de produção e de fácil acesso.

A Organização Mundial de Saúde estimou em 2004 que 2 bilhões de pessoas em todo o mundo consumiam bebidas alcoólicas.De acordo com a World Health Organization, o álcool é uma das razões do envolvimento de jovens de 10-24 anos em acidentes de trânsito. Anualmente, por volta de 400 mil pessoas com menos de 25 anos morrem nas estradas e outras 1.049 se acidentam.Muitas dessas mortes acabam envolvendo pedestres,ciclistas, motociclistas e usuários de transporte público.O relatório apresentado pela World Health Organization, denominado “Youth and Road Safety”, demonstra que ações como a redução de velocidade viária e da concentração de álcool no sangue podem ser eficazes no combate aos acidentes de trânsito causados pelo álcool e que envolvem jovens.

O consumo de álcool e sua relação com o trânsito tornou-se um assunto de saúde pública, todos os dias milhares de pessoas,homens, mulheres ou crianças, em situações cotidianas diversas, são mortas ou feridas devido aos acidentes de trânsito. A estimativa anual, em todo mundo, gira em torno de 1.2 bilhões de pessoas mortas e 50 milhões de feridos (gerando milhares de pessoas hospitalizadas,e que muitas vezes não estarão mais capacitadas para otrabalho ou lazer da mesma forma como faziam antes). Os esforços para a segurança viária são muito pequenos ante o sofrimento humano decorrente de acidentes de trânsito. Principalmente quando o comportamento de beber e dirigir em sociedades nas quais o automóvel particular é o meio de transporte mais utilizado, e o consumo de álcool, além de tolerado, é estimulado, resultando em um comportamento considerado “socialmente aceito”.

Inúmeras campanhas são lançadas para a conscientização da população sobre os efeitos do álcool na direção.

A ação do álcool é cerebral afetando diferentes regiões de maneiras distintas, essa substância afeta a química do cérebro, alterando os níveis de neurotransmissores.Neurotransmissores são mensageiros químicos que transmitem os sinais através do corpo, controlando os processos de pensamento, comportamento e emoções.A curto prazo, o álcool pode causar brancos ou lapsos de memória. A longo prazo, os problemas podem ser ainda mais sérios.Beber muito freqüentemente pode causar danos permanentes, como redução no tamanho do cérebro e deficiência nas fibras que transportam informações entre as células cerebrais.
Veja mais aqui : “O álcool no cérebro”

Então já sabe: SE BEBER NÃO DIRIJA

A foto é daqui

Para descontrair 😉

10 Drogas que você não deve usar enquanto dirige

@giselecgs

Alucinações musicais: relatos sobre a Música e o Cérebro – Oliver Sacks

A música tem o poder de nos transportar para as “alturas” e/ou para as “profundidades” da emoção. Seu poder é eficaz em relembrar nosso
primeiro encontro amoroso, em nos persuadir a comprar, em nos tornar alegres ou tristes, em nos oferecer prazer e paz. Mas esse poder vai muito mais além: na verdade, a música, dependendo da situação e da condição do ouvinte, pode representar momentos quase insuportáveis de irritação e tortura, provocar convulsões, como no caso de um paciente epilético do autor que tem convulsões quando ouve qualquer tipo de música e, por esta razão, anda com tampões de ouvido na cidade de Nova York. Mas a música também pode provocar o efeito contrário do alívio para o sintoma de certas doenças neurológicas. São essas relações intrigantes do homem com a música, a maioria relacionada a alterações perceptivas e neurológicas, que são apresentadas na obra de Oliver Sacks, neurologista reconhecido internacionalmente, traduzido para o português brasileiro por Laura Teixeira Motta, sob o título “Alucinações musicais: relatos sobre a música e o cérebro”, do original em língua inglesa, “Musicophilia: Tales of Music and the Brain”. Obra lançada em outubro de 2007, pela Companhia da Letras em São Paulo, oferece ao leitor uma coletânea de casos clínicos comentados pelo Dr. Oliver, que se apresenta à literatura, com seu próprio gênero literário, oferecendo um material com as suas digitais. Seguindo seu toque distinto, ele escreve não apenas como médico e cientista, mas também como um humanista com tendências filosóficas. Neste sentido, ele é capaz de equalizar e conjugar duas áreas do conhecimento: neurociência médica e arte musical, passeando pelos mistérios do cérebro humano e pela profundidade e complexidade da música.

Sem dúvida, àqueles que apreciam os escritos de Sacks encontrarão, nesta obra, narrativas peculiares deste autor que continua um participante ativo em suas histórias clínicas; aqui ele mistura as experiências de seus pacientes com suas próprias experiências. Em um dos capítulos, o autor discute as alucinações musicais, incluindo o caso da própria mãe. Ele também relata seu caso de “amusia” adquirida. Assim, ele consegue a empatia do leitor, ao se revelar do outro lado do texto. Ele divide esta publicação em quatro partes, a saber:

“Perseguidos pela música” – descreve casos de pacientes que reportam que há determinados fragmentos musicais que não saem da sua cabeça. Eles tentam deixar de ouvi-los, mas eles estão lá e eles não sabem o que fazer para se livrar deles; e a música continua tocando, descontrolada e repetitiva, atrapalhando as atividades cotidianas. Há narrações sobre: “musicofilia” obsessiva, que surge abruptamente logo após a um dano cerebral; epilepsia “musicogênica”, onde determinadas músicas frequentemente “disparam” as crises convulsivas; epilepsia musical, onde as músicas fazem parte do conteúdo das convulsões; imagens evocadas pela música e “brainworms” (traduzido como “verme do cérebro”, em linguagem popular: “minhoca na cabeça”, mas aqui, a minhoca está relacionada à música), fragmentos musicais e imagens que continuamente insistem em “povoar” os pensamentos.

“A variação da musicalidade” – traz à tona os talentos e os cérebros musicais discutindo se há diferenças nos cérebros de músicos e não músicos; ouvido absoluto – a capacidade de identificar tonalidades sonoras fora do seu contexto; amusia e desarmonia; o ouvido imperfeito: amusia coclear; a sinestesia e a música.

“Memória, movimento e música” – discorre sobre o efeito da música sobre casos de amnésia retrógrada, memória emocional e preservação da memória musical, lesão cerebral, Parkinson, Tourette, membro fantasma, desordens do movimento – distonia do músico – relacionando a música como forma de tratamento.

“Emoção, identidade e música” – descreve os sonhos musicais, música e drogas psicodélicas, música e depressão, demência e musicoterapia, os aspectos musicais do autismo, emoções e música. Nesta sessão, fica enfatizada a importância da música, mostrando que ela pode se um recurso terapêutico para orientar um paciente quando mais nada é capaz de fazê-lo.

Resumindo, o livro contém 29 capítulos independentes, cada um falando sobre excessos e perdas relacionadas à música. Há relatos de pessoas que tem a capacidade de enxergar cores quando pensam em uma nota musical; de guardar sinfonias inteiras e até um vasto repertorio – os savants; de aprender novas partituras e de tocar e improvisar ao piano mesmo com perda severa de memória; de experimentar uma compulsão irresistível por ouvir música de piano, após ter sido atingido por um raio, e se tornar um pianista, mesmo sem
talento musical e interesse por música; ouvir melodias, mas não distinguir os ritmos; ter alucinações musicais, como reação a uma surdez progressiva. Os poderes terapêuticos da música vêm sendo “namorados” e acumulados pelo autor, ao longo de sua vida profissional. Ele tem presencia do pacientes que reagem bem ao ouvirem música, obtendo conforto para seu sofrimento, quando nenhuma medicação é capaz de fazê-lo. Esse flerte fica oficialmente deflagrado em sua obra “Tempo de despertar”, onde ele descreve os efeitos surpreendentes da música nos seus pacientes. Agora, ele dedica toda a presente obra a este assunto. E, como em obras anteriores, Sacks tenta disponibilizar o mundo da neurologia para os leigos deixando, na medida do possível, a linguagem científica para os trabalhos acadêmicos, usando linguagem leiga para se aproximar do leitor comum. Essa, talvez, seja a tônica de seu sucesso enquanto escritor e divulgador científico.
Porém, conjugar duas áreas do conhecimento em uma só obra, tem seus percalços.

Não é tarefa simples encontrar um leitor com noções mínimas de Neurociências e Música ao mesmo tempo. Assim, apesar da tentativa de tornar o texto científico claro para o leitor leigo, há momentos em que as descrições técnicas podem parecer um tanto cansativa. Ainda assim, é um livro recomendado não somente para leigos, mas para todos aqueles profissionais de saúde e outros profissionais – médicos, psicólogos, musicoterapeutas, pessoas envolvidas com a área das neurociências – que sabem que o organismo humano é sensível à música, e este requisito pode ser usado multidisciplinarmente para fins terapêuticos.

Sem sombra de dúvidas, além de abrangente, o autor conseguiu mostrar que a música é capaz de “descongelar” as avenidas neurológi-
cas devolvendo mobilidade, ritmo, fala e fluência, recobrando lembranças, controlando tiques e impulsos, enfim, devolvendo qualidade de vida.

Benetti, IC. Resenha do livro “Alucinações musicais: relatos sobre a música e o cérebro”. Rev Neurocienc 2009; 17(3): 301-3.

@larissaomfaria

"Um simples cérebro, sendo bem mais longo do que o céu, pode acomodar confortavelmente o intelecto de um homem de bem e o resto do mundo, lado a lado." Emily Dickinson
"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." Nelson Rodrigues
"Cada um pense o quiser e diga o que pensa" Espinosa
"O animal satisfeito dorme" Guimarães Rosa
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